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Escócia proíbe uso de colar de choque (colar eletrônico) em cães

O uso do colar de choque em cães está prestes a ser efetivamente banido na Escócia. O Governo escocês confirmou a informação.

Ministros disseram em Novembro que poderiam continuar a permitir o uso destes equipamentos de treinamento.

Isso, mesmo apesar dos avisos de instituições de bem-estar animal de que os colares de choque causam sofrimento desnecessário

A Secretária de Meio Ambiente, Roseanna Cunningham anunciou que o Governo irá além.

O movimento segue uma campanha de MSPs, incluindo o conservador escocês Maurice Golden e Ben Macpherson do SNP, bem como instituições de caridade animal, incluindo o Kennel Club, o Scottish SPCA e The Dogs Trust.

Colares eletrônicos são utilizados para treinar animais com problemas comportamentais – mas os ativistas argumentam que são cruéis e questionaram sua eficácia como auxiliar no treinamento.

 

Completamente inaceitável

A Sra. Cunningham disse que tomou a decisão depois de ouvir as preocupações que foram levantadas – particularmente sobre a pronta disponibilidade na internet de dispositivos baratos que podem ser comprados por qualquer pessoa e usados ​​para descarregar choques elétricos dolorosos.

Ela acrescentou: “Decidi tomar medidas para proibir efetivamente e prontamente seu uso na Escócia. “Causar dor aos cães por métodos inadequados de treinamento é claramente e completamente inaceitável e quero que não haja dúvida de que o treinamento doloroso ou desagradável para cães não será tolerado”.

 

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O colar de choque permite que os tutores de cães lhes desfiram um choque elétrico no pescoço – Fonte: Getty Images

 

Cunningham disse que ela trabalharia com as autoridades para garantir que “qualquer pessoa que tenha causado dor aos cães através do uso de coleiras ou outros dispositivos possa ser processada como merece”. Ela confirmou: “Vou, portanto, emitir uma orientação ministerial forte sobre o uso de todos os dispositivos de treinamento dolorosos para que os tribunais tomem em consideração em todos os casos que lhes sejam apresentados quanto ao sofrimento desnecessário através do uso desses dispositivos”.

O guia preliminar já foi publicado, com a proibição de ser introduzida através de orientações emitidas no âmbito da Lei de Saúde e Bem-Estar Animal (Escócia) de 2006 nos próximos meses. O projeto de orientação afirma que: “Causar sofrimento desnecessário é uma infração ao abrigo da Lei de Saúde e Bem-estar Animal (Escócia) de 2006. Isso inclui o sofrimento causado por métodos inadequados de treinamento”. Uma vez finalizada a orientação, os tribunais poderão levá-la em consideração ao estabelecer a responsabilidade em processo.

 

Debate Holyrood

O governo disse em Novembro que reforçaria as restrições em torno do uso de coleiras eletrônicas para treinamento de cães, mas seu uso ainda seria possível sob supervisão. Ele também disse que estava trabalhando com treinadores para desenvolver uma qualificação reconhecida para aqueles que desejassem continuar usando os colares de forma “controlada e responsável” para ajudar a treinar cães.

Mas Cunningham disse que a qualificação proposta não seria criada. Os colares já estão proibidos no País de Gales, mas permanecem em uso na Inglaterra. O Parlamento escocês deveria debater o uso de coleiras de choque elétrico na quinta-feira à tarde, com os partidos da oposição que se espera unirem para pedir a introdução de uma proibição. O debate deveria ter sido liderado pelo Sr. Golden, com uma petição que apoia o convite atraindo cerca de 20 mil assinaturas na quarta-feira à tarde.

O anúncio da Sra. Cunningham na quarta-feira foi recebido por ativistas e políticos de todas as partes. O Sr. Golden disse que estava “muito satisfeito com o governo escocês finalmente anunciar a proibição do uso de coleiras de choque elétrico para cães, que eles ouviram nossa campanha e as 20 mil pessoas que assinaram minha petição”. E Harry Huyton, diretor da instituição de caridade animal OneKind, disse que as coleiras de choque elétrico eram “cruéis, desnecessárias e ineficazes”.

 

 

Fonte:  bbc.com news – 24.01.18
humanos gostam mais de cães do que de pessoas ethos animal comportamento 01

Pesquisas confirmam que humanos gostam mais de cães do que de pessoas

Notícias de jornal que narram atos violentos contra mascotes geram mais comoção que as que envolvem seres humanos adultos

Um artigo científico acaba de confirmar o que todo mundo já sabia: na média, pessoas gostam mais de cachorros que de outras pessoas. Principalmente se o bichinho for um filhote de olhos bem grandes.

 

Psicólogos da Northeastern Universtity, em Boston, nos EUA, distribuíram quatro notícias falsas, supostamente publicadas no Boston Globe, a 256 estudantes de graduação voluntários. Os relatos tinham protagonistas diferentes: um adulto na faixa dos 30, um bebê de um ano, um cãozinho recém-nascido e um cachorro mais velho, com seis anos de idade. Todos eram encontrados gravemente feridos após uma sessão de espancamento com um bastão de beisebol. Leia um trecho: “De acordo com as testemunhas presentes no local, um ataque particularmente cruel envolveu um filhote de um ano de idade que foi golpeado com um taco de beisebol por um atacante desconhecido. Chegando ao local do crime alguns minutos após o ataque, um policial encontrou a vítima com uma perna quebrada, lacerações múltiplas e inconsciente. Ninguém foi preso.”

 

Após a leitura, os participantes eram orientados a indicar, de acordo com uma escala, o grau de empatia que sentiram por cada uma das vítimas. Resultado? O bebê humano, o bebê canino e o cão adulto despertaram todos mais piedade que o humano adulto – e a comoção foi maior entre mulheres que entre homens.

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Fonte: Onbeing . org

A explicação é simples: a violência parece menos justificável quando a vítima é um ser indefeso, como um bebê ou o cachorro. Mesmo que o adulto não pudesse ter se defendido na situação narrada, nós ainda o encaramos como um ser consciente e autônomo, que (pelo menos em teoria) teria mais chances de se defender.

Segundo os próprios autores, a inspiração para a pesquisa veio após um caso real, ocorrido no estado norte-americano do Arizona em 2014. Um garoto de quatro anos foi atacado violentamente por um cão de grande porte, e precisou passar por delicadas cirurgias de reconstrução facial. Uma campanha para ajudá-lo alcançou cerca de 500 seguidores no Facebook. Já uma página criada por ativistas para evitar que o cão responsável pelo ataque fosse sacrificado alcançou 40 mil pessoas em pouco mais de uma semana.

Dito isso, é sempre bom lembrar que, na média, o ser humano não tem um bom histórico de relações com os animais. Na conclusão, os pesquisadores afirmam que a descoberta servirá justamente para criar campanhas de prevenção contra maus-tratos mais eficientes – que comovam usando filhotes simpáticos em vez de cenas de agressão apelativas. “Ao enfatizar a vulnerabilidade, em vez de focar na exposição à violência e agressão, programas inovadores podem revolucionar a prevenção de casos de abuso de animais.” Testes futuros terão as raças de cachorro especificadas e envolverão animais de outras espécies.

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Fonte: sciencenews . org
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Fonte: SuperInteressante, 06.11.17 – Bruno Vaiano
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Tratar pet como filho pode fazer mal para ele, dizem especialistas

Matéria originalmente publicada no portal UOL, contendo entrevista com a fundadora da Ethos Animal, Helena Truksa

por Patrícia Guimarães – Colaboração para o UOL, em São Paulo
Tratar pet como filho pode fazer mal para ele?

Você chama seu animal de estimação de filho? Ok, ninguém está aqui para te julgar. O problema não é deixá-lo dormir na cama ou assistir à TV com você. É quando o amor pelo bichinho se transforma em humanização, a tentativa de encaixar seu comportamento em padrões humanos e deixar sua rotina 100% a serviço do dono. Isso, segundo os especialistas, pode ser nocivo para o animal.

Medo, ansiedade e alterações de comportamento são as consequências mais comuns do antropomorfismo (atribuir ao animal características e sentimentos humanos). “Animais têm alta sociabilidade e são considerados agregados, mas esquecemos isso”, diz a médica veterinária Ceres Berger Faraco,  doutora em psicologia e coordenadora do departamento de veterinária da UniRitter. “Achamos que a convivência com a pessoa, que muitas vezes é restrita ao período da noite, é suficiente para suprir as demandas dele. E não é.”

 

Carinho ancestral

Claro que querer a companhia de um animal de estimação e tratá-lo como membro da família é normal; é até parte da condição humana. “No caso especial de cães, essa relação vai ainda mais longe, pois ao longo de milhares de anos de coevolução, os cães vem se tornando cada vez mais hábeis em ‘ler’ e compreender nossas intenções comunicativas, por meio de expressões corporal, facial, gestual e mesmo assimilando palavras dentro de contextos. É uma ligação mais que especial”, afirma a bióloga especialista em comportamento animal e fundadora da Ethos Animal, Helena Truksa.

 

cachorro-farejando-grama-1487868410985_v2_750x421Imagem: Getty Imagens

Lembrando que cães e gatos têm comportamentos muito diferentes que mudam a rotina da casa. “Por exemplo: o gato mantém o comportamento de caça, de ir atrás de alguma fêmea, de buscar algo para comer. O cão tem o forte comportamento de correr, de farejar, de caçar. São comportamentos naturais  mantidos apesar da domesticação, e, quando eles não conseguem expressar esses traços naturais, começa a existir um déficit de bem-estar”, explica a médica veterinária e mestre em comportamento animal pelo Instituto de Psicologia da USP, além de graduanda em psicologia pela PUC-SP e fundadora da Pet Anjo, Carolina Rocha.

 

Em que casos os humanizamos

Muitos dos comportamentos adotados quando passamos a considerar o animal um membro central na família não geram grandes problemas para eles. Preocupante é, por exemplo, trocar as atividades do bichinho por outras que fazem bem para o humano, mas não visam o bem-estar do animal. “Um exemplo é, em vez de deixa-lo passear na rua ou no parque, levá-lo em um carrinho. Se estamos falando de um cachorro idoso, que não consegue andar, ótimo! Superrecomendado! Mas, fora isso, não tem nenhuma necessidade de privar o animal de apresentar o comportamento natural. Essa privação pode gerar consequências para a saúde, como alterações locomotoras e obesidade, que é um dos grandes problemas hoje”, explica Rocha.

Os excessos de banhos, idas ao pet shop e perfuminhos também não são recomendados. “Um dos problemas que podem surgir são as irritações de pele; a pele ressecada. Ou, ao pentear, podem ser gerados microtraumas no couro do animal. Isso do ponto de vista orgânico. Já do ponto de vista psíquico, temos que considerar que esses não são hábitos da natureza deles. Os gatos, por exemplo, fazem auto-higiene. Eles têm uma língua mais áspera e são preparados para isso”, lembra Faraco.

Outro hábito a ser abandonado é o de dar bronca quando o pet faz algo que não nos agrada, como xixi fora do lugar. “Punição de qualquer natureza não ensina efetivamente nada a nenhum ser. Ela apenas pode bloquear temporariamente determinados comportamentos, o que não indica que aprendeu a ter outra conduta. Educar é mostrar o caminho, ensinar como fazer em vez de se preocupar com o que não fazer. E é por esse e outros motivos que os métodos atuais e cientificamente embasados de educação e treinamento de animais (e também de humanos) se utilizam basicamente de motivação e recompensas, nunca empregando punição física ou psicológica”, afirma Truksa.

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 Imagem: Getty Images

 

Compromisso emocional

Especialistas recomendam um processo de conscientização antes da adoção de um animal. “A pessoa deve se preparar para saber as características daquele bicho. Muitas pessoas têm gatos que vivem em ambientes empobrecidos. Gatos precisam se esconder, precisam de locais altos… Por isso, na maioria das vezes, estão obesos”, alerta Faraco. E critica: “Muitas pessoas estão pensando apenas no que funciona para elas”.

 

Fonte: https://estilo.uol.com.br/noticias/redacao/2017/02/27/o-seu-bichinho-tem-liberdade-para-ser-o-que-ele-e-de-verdade.htm