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Fêmeas de periquito australiano preferem os machos mais inteligentes

As fêmeas de periquito australiano preferem os machos mais inteligentes: segundo experimento chinês, elas podem até mudar de parceiro caso encontrem outro com maiores habilidades cognitivas. Descoberta reforça a Teoria da Evolução, de Charles Darwin.

Desde que foi proposta por Darwin, a Teoria da Evolução supõe que, no reino animal, indivíduos mais inteligentes são os preferidos na escolha de um parceiro sexual. Dessa forma, com o passar do tempo, apenas os melhores exemplares de cada espécie sobrevivem. Essa ideia acaba de ganhar reforço graças a descobertas de cientistas chineses. Em experimentos com aves, eles observaram que periquitos-australianos machos que mostram inteligência se tornam mais atraentes aos olhos das fêmeas. As descobertas foram publicadas na última edição da revista americana Science.

Estudos anteriores da mesma equipe com essas aves focaram em comportamentos correlacionados com a inteligência, como a preferência por música. Apenas depois de determinar essas características, o fator de atração entre os pares foi analisado. “Em algumas espécies, a variação nas habilidades cognitivas é correlacionada com o sucesso reprodutivo. Uma preferência para companheiros inteligentes pode, portanto, contribuir na seleção (…) É necessário explorar melhor essas habilidades, por meio das necessidades reais, e a atratividade do parceiro de forma conjunta. E isso foi o que resolvemos pôr em prática com o experimento”, explicam, no artigo, os cientistas, liderados por Yue-Hua Sun, pesquisador do Departamento de Zoologia da Academia Chinesa de Ciências.

Nos testes, fêmeas de periquito australiano foram reunidas com machos para que escolhessem os parceiros. Em uma segunda etapa, elas assistiram aos candidatos realizando uma tarefa: abrir uma caixa, uma espécie de quebra-cabeça, que estava cheia de comida. Nessa fase, havia animais já treinados para desempenhar a atividade e outros que tentavam pela primeira vez.

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A descoberta

Os pesquisadores perceberam que, depois que as fêmeas observaram as aves treinadas abrirem com sucesso as caixas e testemunharam que o parceiro escolhido não havia feito da mesma forma, as aves mudaram as preferências para os machos inteligentes. “De acordo com os resultados, a observação direta de comportamento inteligente, como a capacidade de resolver problemas para obter acesso a alimento, pode afetar a escolha de parceiros em aves, tornando os machos treinados preferidos pelas fêmeas, um comportamento que poderia estar por trás da evolução de desempenho cognitivo”, destacam os autores.

A equipe acredita que mais pesquisas precisam ser realizadas, mas considera que os resultados obtidos contribuem para reforçar a ideia de que o mesmo comportamento pode ocorrer em outras espécies. “Esses dados suportam várias hipóteses, começando com a de Darwin, que a seleção presente nas relações sexuais afetariam a evolução das características em todas as espécies animais. Mas, é claro, que mais estudos precisam ser conduzidos para examinar quão geral são nossas descobertas.”

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(Foto: Chrysty Lande – Flickr)

Evolução animal

A inteligência é uma capacidade cognitiva bastante explorada em estudos de comportamento animal e, geralmente, é relacionada a maior sucesso na sobrevivência, segundo Georg F. Striedter, pesquisador da Universidade da Califórnia, nos Estados Unidos. “Na análise das espécies, mamíferos de cérebro grande e pássaros, que são considerados superiores em suas capacidades cognitivas, mostram maior longevidade do que os parentes de cérebro menor”, afirma o especialista, em um texto opinativo publicado na mesma edição da revista Science.

Segundo Georg F. Striedter, comparações em contextos de resolução de problemas, especialmente em relação a atividades relacionadas à caça, mostram correlações com fecundidade. O especialista acredita que os dados obtidos no experimento chinês reforçam esses conceitos e podem abrir as portas para mais estudos relacionados à evolução no reino animal. “A abordagem empregada por Chen e sua equipe é uma considerável promessa para o avanço da pesquisa empírica na escolha do parceiro com base em características cognitivas. Numerosas espécies têm a capacidade de escolher companheiros usando mais de uma característica, e o conjunto completo dessas características relevantes ainda não é conhecido em nenhuma espécie. Portanto, acredito que essa metodologia se tornará uma importante ferramenta para pesquisas relacionadas à escolha de parceiros”, explica.

Para saber mais

Contribuições históricas

O naturalista inglês Charles Darwin (foto), nascido em 1809, mudou totalmente a ciência com o desenvolvimento da Teoria Evolutiva e a seleção natural, divulgadas pela primeira vez no livro A origem das espécies, publicado em 1859. De acordo com o cientista, os organismos mais bem-adaptados têm chances maiores de sobrevivência. Com base nessa ideia, os seres mais evoluídos deixam um número maior de descendentes.

O cientista chegou a essas conclusões após um trabalho extenso de pesquisa durante uma viagem de cinco anos, na qual explorou América do Sul, Nova Zelândia e Austrália. Darwin observou uma série de animais que viviam no arquipélago de Galápagos e percebeu que cada espécie tinha características distintas de indivíduos encontrados em outras regiões. Com isso, e chegou à conclusão de que, mesmo com um ancestral em comum, os animais foram levados a evoluir devido ao ambiente diferente em que viviam.

Há especialistas que contestam essas ideias, e outros que tentam entender melhor os conceitos recorrendo à ajuda de instrumentos modernos. Avanços na genética, por exemplo, têm ajudado a revelar, com detalhes, mudanças ocorridas em organismos de animais ao longo dos anos.

 

Fonte: Correio Braziliense, 11.01.19 – por Vilhena Soares

Papagaios do Congo demonstram auto-controle, diz pesquisa científica

Texto e fotos por Dra. Irene Pepperberg

Papagaios cinzentos podem às vezes ser impulsivos – pense em quantas vezes você pode ter que dar ao seu pássaro vários intervalos para o mesmo comportamento (como mastigar seus óculos escuros) em um período de tempo muito curto. No entanto, meus alunos e eu mostramos que nosso papagaio, Griffin, pode realmente mostrar um pouco de autocontrole. Descobrimos isso dando-lhe uma tarefa clássica usada para testar crianças.

A tarefa é informalmente chamada de “teste de marshmallow” e foi projetada pelo psicólogo Walter Mischel na década de 1970. Ele examinou cerca de 60 crianças, todas com aproximadamente 4 anos de idade, em um ambiente de laboratório. Ele usou várias versões da tarefa, mas na versão mais comum, ele sentou cada criança atrás de uma mesa, na qual ele colocou um prato com um marshmallow.

Ele disse à criança que tinha um compromisso e que voltaria em 15 minutos. Ele disse à criança: “Se você puder deixar de comer o marshmallow no prato na minha ausência, eu lhe darei um segundo marshmallow quando eu voltar”. Ele também disse às crianças que elas poderiam comer o primeiro marshmallow a qualquer hora, mas que, se não esperassem pelo seu retorno, não poderiam ter o segundo. E então saiu da sala (Mischel, 1974).

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Agora, se você sabe alguma coisa sobre crianças de 4 anos, para elas 15 minutos é uma vida. Muitas crianças desistiram e comeram o primeiro marshmallow. Mas várias crianças conseguiram esperar, e quase todas conseguiram realizar a tarefa descobrindo como se distrair. Eles se levantaram da mesa e dançaram ao redor; sentaram-se à mesa e cantaram para si mesmos. Às vezes, eles lambiam o marshmallow, mas não o comiam. Eles brincavam com seus cabelos ou roupas. Alguns até tentaram tirar uma soneca.

Mischel argumentou que aqueles que esperavam tinham mais autocontrole, uma forma de função executiva. Ele supôs que as crianças com mais autocontrole teriam mais sucesso em certas situações, como poder terminar o dever de casa antes de sair para brincar. Até que ele entrevistou essas crianças cerca de 30 anos depois que descobriu que sua hipótese estava correta: as crianças que haviam esperado mais tempo, na maior parte das vezes, tinham se saído melhor na escola, tinham ido mais longe. Faculdade concluída, tiveram melhores empregos e menos divórcios! [Uma nota: todas as crianças que ele testou vieram de famílias de classe média.]

Quando experimentadores subseqüentemente testaram crianças de comunidades empobrecidas, essas crianças muitas vezes não esperaram e deram razões como não confiar que o pesquisador voltasse, ou disseram que temiam que alguém comesse o segundo marshmallow ou até que alguém viesse e roubasse o primeiro … um comentário triste, com certeza.]

Não-humanos submetidos ao teste

Meus alunos e eu lemos alguns artigos nos quais os pesquisadores usaram essa tarefa de gratificação atrasada em assuntos não humanos. Muitos trabalhos envolviam experimentos com primatas não humanos, mas nenhum desses estudos havia realmente testado os animais exatamente da mesma maneira que Mischel havia testado as crianças. De fato, sentimos que alguns dos testes nos primatas não humanos provavelmente tinham algumas falhas de projeto. No entanto, em testes muito semelhantes aos usados por Mischel, as cacatuas e alguns corvideos pareciam ser capazes de esperar por uma recompensa melhor, embora não por mais recompensa (ver Auersperg et al., 2014; Hilleman et al., 2014). .

As cacatuas esperaram por muitos segundos; os corvideos por até 10 minutos. Curiosamente, os corvideos, que muitas vezes armazenam alimentos na natureza, às vezes armazenam a primeira recompensa enquanto esperam – possivelmente um caso de “fora da vista, fora da mente”. Esses estudos nos fizeram pensar se um papagaio cinza africano poderia se sair tão bem quanto crianças, ou talvez até melhor do que as cacatuas e corvideos. Sabíamos que nosso papagaio cinzento, Griffin, entendia a palavra “esperar” – embora ele não tivesse escolha, ouvia a palavra todos os dias quando dizíamos a ele que esperasse que seus grãos cozidos esfriassem e esperasse enquanto as pessoas entrassem no laboratório usadondo desinfetante para as mãos e tirassem os sapatos fora da sala antes de ir cumprimentá-lo. Então, passamos a testá-lo, usando a tarefa exata de Mischel (Koepke et al., 2015).

Observamos que em quase todos os outros testes com não-humanos, os pesquisadores ajustaram o procedimento de Mischel. Por exemplo, eles aumentaram lentamente o tempo de espera – portanto, se os participantes pudessem se abster de comer um amendoim por 10 segundos, no próximo teste tentariam fazer o sujeito esperar 20 segundos, e assim por diante, até que os sujeitos falhassem. Tal procedimento poderia realmente estar treinando os sujeitos a esperar, ao invés de testar seu comportamento básico.

Para controlar essa possibilidade, misturamos todos os tempos de espera. Outros pesquisadores às vezes usavam apenas um par de guloseimas; Queríamos garantir que um tratamento não fosse algum tipo de sinal para outro tratamento, por isso usamos vários pares diferentes de prêmios. E também queríamos garantir que Griffin não interpretasse a palavra “espera” como um comando treinado (como aquele dado a um cachorro que tem um biscoito colocado no nariz e tem que esperar por um comando para virar e comer). Então, em alguns testes, apresentamos a recompensa mais favorecida e pedimos a Griffin que esperasse pelo menos favorecido.

Griffin cinza africano joga o jogo de espera

Griffin conseguiu a tarefa – ele esperou em 108 dos 120 testes. Ele foi tão bem sucedido nos atrasos de 15 minutos quanto nos atrasos de 10 segundos. Ele não aprendeu a esperar … ele cometeu tantos erros no final do teste quanto no início, e houve tantos atrasos no início quanto no final do experimento. Os diferentes tipos de tratamento não importavam, mas em dois de seus fracassos, as recompensas eram muito próximas em termos de desejo (um caju e um doce), e ele decidiu comer a recompensa ligeiramente menos favorecida quase imediatamente.

Nos julgamentos em que lhe pedimos para esperar por algo menos favorável, ele mal esperou – ele passou um segundo ou dois olhando para nós como se fôssemos dementes e, em seguida, imediatamente comeu a recompensa, mostrando que ele estava muito consciente de quando ele deveria e não deveria esperar. E ele não estava simplesmente perdendo o interesse pela recompensa – em alguns de seus fracassos, ele esperou até quase o fim do período de atraso – em um caso, mais de 14 minutos – antes de sucumbir à atração da recompensa que estava presente.

O que foi particularmente interessante, no entanto, foram os padrões de comportamento que ele exibiu enquanto esperava: Ele fez quase as mesmas coisas que as crianças pequenas! Ele falou para si mesmo, ele tentou tirar uma soneca, ele se arrumou, virou a cabeça. Como as crianças, ele às vezes lambia a recompensa, mas não a comia. Na verdade, fizemos um vídeo em tela dividida das crianças (do YouTube) e Griffin para usar em uma apresentação em uma conferência, embora não pudéssemos usá-lo em nosso artigo publicado.

Claramente, os papagaios cinzentos podem, às vezes, agir de forma precipitada. No entanto, quando vale a pena, eles estão definitivamente dispostos a esperar, especialmente por uma recompensa melhor. Na natureza isso faz muito sentido: se ao forragear, as aves se depararem com algumas frutas, mas souberem que nozes mais densamente calóricas estão um pouco mais adiante, é muito melhor para elas esperar pelas nozes do que se encher de fruta. O próximo passo, é claro, é ver se Griffin vai esperar por mais uma recompensa … e isso pode não ser tão fácil, pois faz menos sentido ecológico: não há razão para não parar em um pequeno pedaço de nozes e comer -los enquanto espera algo maior. Fique ligado para ver o que o Griffin fará!

Tradução livre por Helena Truksa

ORIGINAL EM INGLÊS: https://lafeber.com/pet-birds/inside-dr-pepperbergs-lab-african-grey-parrots-show-self-control/

Referências:

Auersperg, A. M. I., Laumer, I. B., & Bugnyar, T. (2013). Goffin cockatoos wait for qualitative and quantitative gains but prefer ‘better’ to ‘more’. The Royal Society: Biology Letters, 9, Article 20121092.

Hillemann, F., Bugnyar, T., Kotrschal, K., & Wascher, C. A. F. (2014). Waiting for better, not for more: Corvids respond to quality in two delay maintenance tasks. Animal Behaviour, 90, 1–10.

Mischel, W. (1974). Processes in delay of gratification. In L. Berkowitz (Ed.), Advances in experimental social psychology, Vol. 7 (pp. 249–292). New York, NY: Academic Press.

luto pela perda morte de um animal de estimação ethos animal

O luto por animais de estimação é uma realidade. E existe acompanhamento especializado

A ligação que desenvolvemos com os animais de companhia é diferente daquela que temos uns com os outros, mas não deixa de ser uma relação forte e de amizade. É por isso que, no momento da perda do animal e quando a saudade é mais difícil de digerir, faz sentido falar em acompanhamento.

A confissão de Barbra Streisand mostrou que a clonagem é um tema controverso. Mas o debate não se pode cingir ao processo em si: deve ser mais alargado e debruçar-se sobre as motivações que levam o dono de um animal falecido ou a sofrer de uma doença terminal a decidir cloná-lo. E, entre as razões, pode estar o sofrimento e a saudade do animal perdido.

Mas essa pode não ser a melhor solução: os donos estão à espera de um animal com a personalidade daquele que tiveram e o mais provável é que o animal não seja o que esperam. “No meu trabalho, acabo por me aperceber de experiências de famílias que estão a lidar com um segundo animal e que os problemas surgem de não se adaptarem à realidade de terem um animal diferente e tratarem o animal da mesma forma que tratavam do outro”, diz Rita Jacobetty, consultora de comportamento e bem-estar animal. Ainda que esta experiência não seja relativa a animais clonados, é também válida para esse contexto.

Como o veterinário do Centro Para o Conhecimento Animal (CPCA) Gonçalo da Graça Pereira descreve, “cada vez mais os animais de companhia fazem parte da família e do núcleo familiar. Cada vez mais falamos de uma família multiespécie, em que a mãe tira um dia de férias para ir com os filhos ao pediatra e com o cão e o gato ao veterinário”. É por isso que, como continua o veterinário especialista europeu em medicina do comportamento, faz sentido falar e reconhecer que nós, seres humanos – cada um com intensidades diferentes, tal como acontece quando é um ente querido que morre –, passamos por um processo de luto pelo animal que vivia connosco.

Até porque, como explica Tânia Dinis, psicoterapeuta que trabalha com processos de luto, entre os quais luto animal, a relação com um animal de companhia é um tipo de relação “muito próxima, que não tem ambivalências, sem as zangas que existem entre as pessoas e normalmente com um lado muito afetuoso”. A psicoterapeuta, que integra a equipa do CPCA, frisa ainda que, “de facto, os animais fazem muita companhia e são uma presença que está ali sempre – à exceção de sofrerem de alguma doença ou de terem algum acidente, não se vão embora”. Essa é uma certeza que, como assinala, nem sempre existe entre as pessoas. Entre nós, nessa perspetiva, criam-se relações mais inseguras.

O acompanhamento Não são poucas as pessoas que procuram apoio ao luto no momento em que perdem um animal de companhia, diz Tânia Dinis. E se algumas recuperam em meia dúzia de sessões, outras precisam de acompanhamento durante dois anos. E no que se baseia esse apoio? “Varia de situação para situação, mas há elementos mais ou menos constantes, como o organizar as memórias, ou seja, perceber qual foi o papel do animal na vida da pessoa – o que fica, o que deixa, o que pode ser lembrado”, explica a psicoterapeuta. É normal e inevitável, inicialmente, que a pessoa se sinta triste, “mas o que importa no contexto do acompanhamento é garantir que essa tristeza não é destrutiva”.

Algumas estratégias passam por levar a pessoa a procurar o apoio e o afeto das outras à sua volta. Nos casos em que a pessoa não tem essa possibilidade, é importante mostrar-lhe como pode criar ligações – ter outro animal ou arranjar amigos.

“O meu trabalho passa por ajudar a processar os sentimentos, perceber a função do animal para a pessoa e ajudar a pessoa a reorganizar a sua vida para voltar a construir redes emocionais e não se isolar”, explica Tânia Dinis.

Quando há crianças na família, a intervenção da profissional passa por explicar aos adultos da casa como devem lidar com as crianças no dia-a-dia, depois da perda, e o que lhes devem dizer. “A ideia é valorizar sempre o animal e recordar o lado positivo da experiência que se viveu com ele”, diz Tânia. A psicoterapeuta deixa um alerta: “Por exemplo, dizer à criança que o animal simplesmente desapareceu de casa é péssimo para os miúdos. É um susto e leva-as a questionar se pessoas, animais e as coisas de que gostam podem simplesmente desaparecer. Muitas vezes estamos a tentar protegê-las da tristeza, como se isso fosse possível, mas não é. Há coisas das quais não podemos protegê-las.”

Aqui no Brasil também é possível encontrar apoio e acompanhamento especializado em Luto pela perda ou morte de animais de estimação. Fale conosco para saber mais. Podemos ajudar.

[email protected]

Arranjar um novo animal logo a seguir à morte do anterior pode não ser, em todos os casos, a estratégia certa. “Se o animal era tão importante, a família precisa de um intervalo para sentir saudades dele, para fazer uma separação. Depois, quando a tristeza já não for tão grande e a família não sentir uma necessidade de substituição, para encher um vazio, pode então pensar em ter um animal pela mesma razão pela qual teve o anterior – porque acha que a família fica mais completa com um animal de companhia”, declara.

Vergonha social Da parte daqueles que não têm animais de companhia, existe alguma dificuldade em compreender o sentimento de perda e o sofrimento inerentes à morte de um animal. Há, por isso, uma certa censura da parte da sociedade em relação a isso – o que resulta num sentimento de vergonha da parte das pessoas que perderam o animal e que acabam por sofrer em silêncio.

Os especialistas com quem falamos dizem sentir isso no quotidiano da profissão. Gonçalo da Graça Pereira traça o problema. “Não é socialmente bem aceite que as pessoas sofram pela perda do seu animal. ‘Era só um cão, era só um gato’, ouvimos. E então acaba por ser um luto escondido, silenciado e silencioso. As pessoas não podem tirar um dia porque lhes morreu um animal”, nota. O veterinário defende que as pessoas deviam ter direito a tirar um ou dois dias, tal como acontece quando perdem um familiar. “Acho que há situações até de crianças que não deveriam ir à escola naquele dia porque os colegas que não têm animais não vão entendê-las, é um sofrimento demasiado profundo para elas. Devia ser um motivo de justificação de falta para a escola e para o trabalho”, afirma. “Felizmente, a sociedade está a mudar e cada vez é mais bem aceite que possamos sofrer pela perda do nosso animal”, remata.

Tânia Dinis acrescenta que uma das especificidades deste tipo de acompanhamento é precisamente “o facto de as pessoas à volta não entenderem o peso que pode ter esta perda. Enquanto em relação à perda de pessoas quase toda a gente tem um perspetiva semelhante, em relação à perda de animais não é assim. Mas é certo que, para as pessoas que têm uma ligação forte com os seus animais, a perda é enorme”.

Você tem dúvidas ou gostaria de saber mais sobre os Serviços e Cursos oferecidos pela Ethos Animal? Entre em contato através do e-mail [email protected]. Certamente poderemos ajudar a melhorar ou restabelecer o equilíbrio emocional no relacionamento com seu(s) pet(s).

Fonte: sol.sapo.pt | beatriz dias coelho

 

Alex Papagaio entende o que fala Helena Truksa Especialista em Comportamento Animal

Papagaio entende o que fala!

Ainda há muito o que se estudar sobre a compreensão e uso de linguagem humana por aves da família dos Psitacídeos (papagaios, araras, cacatuas, etc), mas já se pode dizer que, de certa forma, papagaio entende o que fala.

Estudos recentes comprovam que o papagaio-cinza-africano (Psittacus erithacus) é capaz de aprender um grande número de palavras e usar esse vocabulário para expressar seu interesse por algum objeto que ele queira, ou por alguma comida específica.

A pesquisadora norte-americana Irene Pepperberg vem desenvolvendo experimentos científicos com essa espécie de ave já há mais de 22 anos, e assegura que eles conseguem formar conceitos complexos como a relação de “igualdade e diferença”.

Ela ensina alguns nomes de objetos ao papagaio, e os apresenta a ele. Então, com os objetos numa bandeja, lado a lado, em frente à ave, Pepperberg pergunta “Qual a diferença?”. E o animal responde: “Cor”.

São vários objetos de cores variadas e formatos iguais.

Ela pode perguntar também, sobre o mesmo grupo de objetos, “Qual a semelhança?”, ao que o papagaio responde “Forma”.

Esse é apenas um breve exemplo das capacidades mentais de animais incríveis, como os papagaios. Cães também demonstram ter uma grande capacidade intelectual, mas esse tema será abordado em outra oportunidade.

Você pode querer saber mais sobre este assunto. Então visite www.alexfoundation.org.

cuidados gerais de aves pet higiene da gaiola

Cuidados gerais de aves pet – higiene da gaiola

A pergunta mais frequente sobre cuidados gerais de aves pet que recebemos é “O que vocês usam no fundo da gaiola?” Recomendamos utilizar papel bastante absorvente, como papel toalha, por exemplo. Jornais, somente as páginas que contenham apenas tinta preta, sem tinta colorida. Deve-se evitar papéis que não sejam completamente atóxicos.

O papel deve ser trocado ao menos uma vez ao dia e a bandeja deve ser limpa também. Você pode colocar uma folha de papel que encaixe perfeitamente no fundo da bandeja e sobre este colocar folhas de papel toalha sobrepostas – isto permite a remoção de uma ou duas folhas de papel toalha ao longo do dia, ao mesmo tempo que mantém a área do fundo muito limpa até que a limpeza diária possa ser completamente efetuada. A bandeja e/ou a grade do fundo da gaiola de sua ave deve ser limpa vigorosamente por todos os lados, dentro e fora e nas laterais duas vezes na semana. O restante da gaiola deveria ser limpo completamente e cuidadosamente a cada duas ou quatro semanas – isto se aplica tanto a gaiolas de metal quanto acrílicas.

Justamente por conta de informações profundas sobre as infecções causadas pelo fungo Aspergillus em aves, não recomendamos o uso de NENHUM material flocado (como serragem, por exemplo) no fundo das gaiolas de aves.

Especialistas renomados como Sally Blanchard do Pet Bird Information Council, assim como nós da Ethos Animal, recomendam que se evite completamente o uso de grades no fundo da gaiola de sua ave. As razões iniciais para isso são:

– é virtualmente impossível manter uma grade completamente limpa

– esfregar repetidamente a grade tende a remover o acabamento expondo o metal interno das barras que frequentemente contém uma concentração de zinco insegura para sua ave (tóxica).

Ter isto em mente, juntamente com o fato das grades raramente manterem as aves longe do fundo da gaiola, faz com que se veja as razões de saúde para NÃO usar grades. A ÚNICA exceção é a esta regra é quando se lida com uma ave que põe ovos em excesso. A consideração comportamental contra as grades tem a ver com o relativamente novo entendimento do valor para as aves de poderem descer ao fundo da gaiola para brincar e forragear (procurar comida). Praticamente todas as espécies de papagaios na vida selvagem despendem um tempo considerável no chão todos os dias.

Se permitirmos que eles tenham a oportunidade de fazer isto em suas gaiolas e se dedicarmos algum tempo todo dia no chão junto com nossas aves, estaremos preenchendo uma necessidade instintiva delas. Assim, elas serão mais felizes e naturalmente mais bem comportadas!

Em um próximo artigo, daremos continuidade à série informativa sobre os Cuidados Gerais das Aves Pet!

Aproveite e deixe abaixo seus comentários. Eles serão muito bem vindos!

cacatua de goffin

Cacatuas aprendem como fazer e utilizar ferramentas através de observação

Figaro, uma cacatua de Goffin (Cacatua goffini) mantida em um laboratório de pesquisa na Áustria, atordoou os cientistas alguns anos atrás, quando ele começou espontaneamente a fazer ferramentas (pequenas varinhas) a partir de placas de madeira disponíveis em seu aviário.

Os papagaios da Indonésia não são conhecidos pelo uso de ferramentas em vida selvagem, ainda  que Figaro ativamente empregou suas varetas para retirar nozes de uma caixa aramada. Imaginando se as cacatuas companheiras de Figaro poderiam aprender através da observação de seus métodos, os cientistas planejaram experimentos para uma dúzia delas. Um grupo observava enquanto Figaro utilizava a vareta para alcançar a noz colocada dentro de uma caixa acrílica com uma tela de arame no painel frontal; outras viram “demonstradores fantasma”- ímãs que foram escondidos abaixo da mesa, controlados pelos pesquisadores – retirar as recompensas. Cada ave foi então colocada em frente à caixa, com uma vareta igual a de Figaro nas proximidades. O grupo de três machos e três fêmeas que assistiram Figaro também pegaram as varetas, e fizeram alguns esforços relembrando as suas ações.

Mas apenas aqueles três machos se tornaram proficientes com a ferramenta e retiraram com sucesso as nozes, os cientistas publicaram online no dia 02 de Setembro de 2014, no periódico científico Proceedings of the Royal Society B. Nenhuma das fêmeas tiveram o mesmo sucesso; nenhuma das aves, machos e fêmeas, no grupo do demonstrador fantasma teve êxito também.

Devido ao insucesso total do último grupo, o estudo demontra que as aves precisam de professores vivos, dizem os cientistas. Intrigantemente, os observadores inteligentes desenvolveram uma técnica melhor que a de Figaro para alcançar a recompensa (noz). assim, as cacatuas não estavam copiando exatamente suas ações, mas sim, estavam emulando-as – uma distinção que implica em algum grau de criatividade.

Duas das cacatuas bem sucedidas receberam a oportunidade, posteriormente, de fabricar suas próprias ferramentas. Uma delas o fez imediatamente (como visto no video abaixo), e a outra foi bem sucedida após observar Figaro.

Pode ser que através do aprendizado de como usar uma ferramenta, as aves sejam estimuladas a fabricar suas próprias ferramentas, dizem os cientistas.

Tradução por Helena Truksa

Fonte: http://news.sciencemag.org/plants-animals/2014/09/cockatoos-can-learn-each-other-how-make-and-use-tools

charlie-eclectus-papagaio-estresse-automutilacao-arrancar-penas-comportamento-animal-psicologia-adestramento-ethos

Aves também são vítimas de estresse

O papagaio Charlie (na foto), do Reino Unido, foi destaque na imprensa internacional com seu casaco de lã. Além de fashion, ele retrata um problema comum em aves: a automutilação. Segundo publicações internacionais, ele foi abandonado, ganhou roupa para evitar o mau hábito, além de se proteger do frio. “Esse comportamento é comum nos psitacídeos. Na maioria dos casos, eles arrancam as penas devido ao estresse, mas existem algumas doenças que podem aumentar o problema, fazendo com que as penas fiquem frágeis e quebradiças”, explica a veterinária Flavia Cruz Agostini, do Hospital do Grupo Pet Center Marginal.

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As aves são animais bem sensíveis. Elas podem ser afetadas por mudanças de ambiente, falta de atenção e carinho, gaiolas inadequadas, chegada de novos membros na casa (como bebês, por exemplo), barulhos (reformas), separações, falta do que fazer, de um companheiro ou do dono, sujeira no poleiro, entre outros fatores. “É difícil, na maioria dos casos, identificar a origem deste tipo de comportamento. Essas situações, no entanto, levam a um quadro de estresse sinalizado pelo arrancar de penas da própria ave ou de seu colega de gaiola, gritos, recusa ou escolha de ingestão de determinados alimentos e apatia, quando ficam recolhidas num cantinho”, elenca.

O que poucos sabem também é que até o hábito de deixar as aves na cozinha pode provocar automutilação. “Aves são animais que não podem e não devem ficar com as penas sujas, com odor, e muitas pessoas as deixam na cozinha, pois é o local de maior movimento em uma casa. Com isso a gorduras dos alimentos podem impregnar nas penas e, ai sim, o animal começa a arrancá-las”, alerta. Outro perigo da cozinha é a intoxicação das aves pelo teflon das panelas. “Elas soltam gases que podem ser tóxicos e levam à morte”, adverte.

Entre as principais doenças que levam a esse tipo de comportamento, há a giardia; como causa irritação na pele, faz com que o animal comece a arrancar as penas. “Outra enfermidade grave é a doença do bico e das penas, que afeta principalmente os psitacídeos exóticos”, destaca Flavia.

Para contornar o mal, os veterinários recorrem primeiramente a uma barreira física para evitar que as aves continuem com o hábito. Também é possível usar medicamentos antidepressivos. Uma medida simples subestimada, porém, que costuma apresentar bons resultados é ocupar esse animal com brinquedos e atrações na gaiola. “Hoje encontramos uma série de brinquedos para aves. É interessante colocar na gaiola mais um poleiro para que elas possam se movimentar, brinquedos coloridos que chamem a atenção e com espelhos, assim elas se veem refletidas e se distraem achando que é um companheiro”, aconselha.

Segundo Flavia, a automutilação deve ser controlada o mais cedo possível. “Esses locais afetados podem virar grande feridas que podem gerar infecções letais”, conclui.

Fonte: Assessoria de imprensa

Alguns problemas comportamentais em Aves (Psitacídeos)

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Arrancamento de penas e automutilação

Problemas comportamentais em aves

O arrancamento de penas é um problema comum e de difícil solução. A desordem caracteriza-se pelo comportamento obsessivo da ave em quebrar, destruir ou arrancar suas próprias penas ou de outras aves, retirando a proteção natural oferecida pelas penas.

O cuidado com as penas é um procedimento natural nas aves, que cuidam e limpam diariamente da plumagem. As penas são imprescindíveis à saúde, permitindo o vôo, proteção contra o frio, umidade, vento e outras variações climáticas. A muda natural é diferente do arrancamento de penas. A muda de penas é um processo fisiológico, que consiste na perda das penas velhas e desgastadas e crescimento de novas penas. Os papagaios fazem a muda gradualmente ao longo do ano e nunca de uma só vez.

Não é difícil saber se uma ave está arrancando ou destruindo suas penas. Basta observá-la atentamente e examinar as áreas do corpo que estão depenadas: dorso, asas, abdômen, tórax. Nos locais onde as aves não alcança com o bico (cabeça e pescoço) não ocorre a perda de penas, a não ser que outra ave esteja arrancando. As causas do arrancamento de penas são variáveis e podem ser classificadas em causas ambientais, clínicas e psicológicas (ou comportamentais).

As causa ambientais podem ser mudanças no tempo (úmido, seco, calor, frio), pessoas ou animais novos na casa, mudanças no ambiente em que a ave vive, mudança no comportamento do seu dono (ausência na casa, pouco tempo interagindo com a ave, fatores emocionais, etc.), barulho excessivo, movimento anormal no ambiente, animais estranhos nas proximidades. Ambientes úmidos ou secos ou aves com plumagem suja que não têm a oportunidade de banho podem apresentar um zelo exagerado no cuidado das penas, podendo se tornar arrancadoras.

As causas clínicas mais comuns são parasitas de pele, parasitas internos (vermes, protozoários), infecções bacterianas ou fúngicas na pele ou nos folículos das penas, alergias, distúrbios hormonais, desnutrição, aspergilose (infecção respiratória fúngica), doenças internas (doenças hepáticas) e mudanças hormonais na época de reprodução (época reprodutiva, presença de caixa-ninho).

As causas psicológicas ou comportamentais são o estresse, ansiedade, medo, tédio, frustração sexual por não se reproduzir, solidão, falta de atenção do dono, poucas horas de sono, mudança brusca na rotina da ave e outras experiências negativas que levem a ave a se automutilar extraindo ou destruindo suas próprias penas. Aves que querem a atenção do dono podem passar a arrancar as penas como forma de chamar a atenção.

É importante notar que inicialmente há uma causa que desencadeia o comportamento anormal, mas o hábito pode tornar-se vício, e mesmo que o fator desencadeador cesse, o vício pode permanecer indefinidamente. Por exemplo, uma ave pode começar a arrancar suas penas por causa do estresse sofrido durante uma mudança de residência. Porém, mesmo depois da ave estar acostumada com a nova casa, ela poderá persistir no arrancamento, que passou a ser então, um vício. Em aves arrancadoras crônicas, a camada germinativa das penas pode estar comprometida e mesmo que a ave seja curada do comportamento obsessivo, o crescimento de novas penas poderá nunca mais acontecer por causa da destruição dos folículos.

Lembre-se que os papagaios são aves inteligentes e precisam de atenção e atividade. Na natureza passam grande parte do dia procurando alimento, voando longas distâncias, alimentando-se na copas das aves e interagindo umas com as outras. Em cativeiro esta possibilidade de interagir com o meio ambiente e com membros do bando não existe, tornando a vida do animal um permanente tédio. Aves entediadas são fortes candidatas a tornarem-se arrancadoras de penas.

Aves que não se acasalam também podem apresentar essa aberração comportamental, sendo mais evidente o problema na época reprodutiva. Descobrir a causa do problema não é uma tarefa fácil e requer muita investigação clínica e análise do histórico e comportamento da ave. Pode ser necessário eliminar possíveis causas até chegar à causa mais provável.

Em muitos casos, não se chega à cura definitiva.

O tratamento depende do diagnóstico. Se a causa predisponente for parasita de pele, o tratamento é feito com um ectoparasiticida. Se o que está causando o problema é uma infecção respiratória, o tratamento é combater a infecção. Se for distúrbio hormonal, pode-se lançar mão da reposição de hormônios. Se o arrancamento for decorrente da frustração sexual, pode ser necessário providenciar um parceiro ou reduzir os hormônios sexuais. Se houver um animal doméstico novo na casa (cão ou gato), pode ser necessária a remoção desse animal. A solidão é um fator predisponente. Se os moradores da casa permanecem o dia todo fora, pode ser necessário a adoção de uma outra ave para companhia (pode ser até mesmo um psitacídeo de outra espécie) ou então, o dono deve buscar tempo para passar mais atenção com sua ave.

Diferentemente, se a ave arrancadora estiver em bando, pode ser necessário separá-la das outras, se estiver sendo ameaçada ou perseguida por uma outra ave. Assim, existem muitas causas e diversos tratamentos e manejos.

Muitos são também os medicamentos prescritos: tranqüilizantes, fitoterápicos, imunoestimulantes, homeopáticos, etc. o colar elisabetano é recomendado em algumas situações, mas não resolve o problema, pois a causa não é tratada. Uma medida sempre correta é passar a fornecer ração balanceada. Para o sucesso do tratamento, é fundamental descobrir o que está causando o arrancamento. Forneça sempre um ambiente limpo e saudável que dê oportunidades de descobertas e estímulos para a ave manter-se ocupada. Enriquecimento ambiental é o termo usado para definir os procedimentos a serem adotados para tornar o ambiente repleto de oportunidades de aprendizado e atividades, tornando a ave ativa e constantemente motivada em seu meio. Uma ave triste e frustrada está a meio-passo para tornar-se uma arrancadora de penas.

Agressividade

agressividade em aves
O comportamento territorial é uma das causas da agressividade nas aves.

Se sua ave tornou-se muito agressiva, é porque apresenta sinais de alteração comportamental e é preciso investigar o que está causando essa agressividade exagerada. Um papagaio irritado ou submetido a esforço físico (como falar, por exemplo) abre e fecha as pupilas constantemente, ficando com as pupilas reduzidas a um pontinho apenas. Aves irritadas e dispostas a agredir abrem a cauda, arrepiam as penas da cabeça e pescoço e levantam um dos pés para atacar. Uma reação típica de um papagaio irritado que deseja agredir é atacar com o bico, vocalizar e balançar o corpo para cima e para baixo.

São muitas as causas da agressividade:

Ciúmes: os papagaios são monógamos, ou seja, formam casais permanentes. Uma ave solitária pode sentir-se acasalada a uma pessoa da casa, e sentir ciúmes dessa pessoa quando outra pessoa ou animal se aproxima da sua parceira ou parceiro humano. Recomenda-se que o papagaio, ainda jovem, se acostume com todas as pessoas da casa. Quando se pretende receber uma nova ave, um outro animal doméstico ou mesmo um novo morador na casa, os primeiros contatos devem ser feitos num local neutro da casa, ou seja, num local onde o papagaio não se sinta o dono. A pessoa favorita (o parceiro) segurará o papagaio, enquanto o novo morador é apresentado e familiarizado. Só então, o papagaio e o novo morador são levados à área favorita da casa (local onde o papagaio se sente dono). A aproximação a outro animal ou pessoa deve ser feita aos poucos.

Comportamento territorial: a defesa do território é um comportamento natural nos papagaios adultos. Seu território pode ser a gaiola ou um compartimento da casa. Se a ave se considera a dominadora do ambiente, irá defendê-lo.
Ameaça: quando um papagaio sente-se ameaçado (seja a ameaça real ou imaginária), irá lutar pela sua sobrevivência, já que não lhe é possível fugir. A ave pode interpretar como ameaça movimentos bruscos, pessoas e animais estranhos, objetos estranhos, perseguição e agressão. Portanto, nunca se deve agredir uma ave como forma de intimidação. Na verdade, isso só irá piorar a situação.

Maturidade sexual: aves maduras sexualmente e em período reprodutivo podem se tornar agressivas. O papagaio pode identificar uma pessoa da casa como seu parceiro e ficar frustrado e agressivo. Se isso acontecer, deve-se procurar evitar contatos físicos que possam estimulá-lo sexualmente. Espelhos devem ser retirados da presença da ave para que ela não confunda sua imagem com a de um parceiro para acasalamento. Caixas-ninho devem ser removidas do viveiro. O ideal seria dar a oportunidade à ave de se reproduzir num viveiro.

Dor: aves com dor evitam o contato e podem agredir durante o manejo.

Técnicas corretivas:

· Mantenha a ave em sua gaiola ou poleiro num nível inferior à cabeça do dono. A gaiola pode ficar na altura do peito das pessoas. Isso evitará que a ave esteja num nível superior e sinta-se dominante sobre as pessoas.

  • Ignore seu papagaio quando ele tornar-se agressivo. Evite olhar, falar ou interagir com ele enquanto estiver se comportando mal.
  • Cubra a gaiola por uns 10 minutos para que ele saiba que seu comportamento não é desejado e por isso está sendo privado do convívio com o dono e com outras pessoas da casa.

Gritos e barulho excessivo

 

A vocalização é um comportamento natural nos psitacídeos e serve para se localizarem no bando. Na natureza essa vocalização é mais intensa ao amanhecer e ao entardecer. Em cativeiro não é desejável essa gritaria, pois perturba o sossego dos moradores e vizinhos. O som alto de eletrodomésticos (aspirador-de-pó, liquidificador, rádio em volume alto, cortador-de-grama, etc.) estimulam os gritos nos psitacídeos. O comportamento agressivo e territorial pode levar a ave a gritar excessivamente. A procura por atenção do dono e a ansiedade e medo pela separação do dono são também causas de gritos barulhentos.

Técnicas corretivas:

  • Cobrir a gaiola por alguns minutos ou isolar a ave em um recinto da casa.
  • Ignorar completamente a ave durante o período de gritaria (não olhar, falar ou interagir com a ave).
  • Eliminar o estímulo ambiental que está desencadeando a gritaria (desligar equipamentos barulhentos, por exemplo).
  • Fornecer brinquedos, distrações e alimentos que mantenham a ave ocupada e mentalmente ativa.

Fonte: Dr. Zalmir Silvino Cubas 
Médico Veterinário – Foz do Iguaçu

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 Por:  Helena Truksa | Bióloga