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Categoria: Bem-estar Animal

okja filme

Okja: um ótimo filme que vai além da defesa animal

Não é de hoje que o cinema investe na forte amizade existente entre crianças e animais, assim como em desventuras onde um precisa ajudar ao outro. Trata-se de uma proposta de fácil identificação, pela relação pré-existente dos espectadores com seus animais de estimação. Por mais que também aborde tal proximidade, classificar Okja apenas neste sentido é um tremendo erro. Há bem mais a ser dito nesta alegoria ao mundo moderno, desenvolvida a partir de elementos fantásticos pelo diretor Bong Joon-Ho.

Okja Tilda Swinton filmes ethos animalJá em seu início, Okja é impactante. Em uma apresentação em ritmo frenético estrelada por uma Tilda Swinton a la personagem de anime, graças aos movimentos amplos e eufóricos, toda a ambientação em torno do surgimento do super porco é estabelecida. Mais ainda: é possível notar a importância da publicidade dentro de tal anúncio, justamente pela forma como cada informação é apresentada. A velocidade de dados jogados na tela de forma a desorientar mais do que explicar é proposital: a ideia é deixar atordoado quem assiste, de forma que não tenha (muitas) condições de raciocinar sobre o tema naquele instante e, obviamente, não surja qualquer questionamento. A absorção tácita é maior, este é o objetivo.

Diante disto, o espectador leva até um certo choque quando o filme parte para a década seguinte. Numa das fazendas selecionadas, com sua típica vida pacata, o propagado super porco enfim é apresentado como um misto de hipopótamo e cachorro, extremamente dócil e fiel. Nasce então a amizade entre Okja e Mija (Seo-hyun Ahn), uma garota de 14 anos que, com ares de heroína, fará o que for necessário para permanecer ao lado de sua fiel amiga.

OkjA partir deste contexto fantasioso, Bong Joon-Ho apresenta um sem-número de personagens extremamente criativos e exagerados que, cada um à sua maneira, surgem como reflexo ao mundo real. Jake Gyllenhaal, por exemplo, surpreende ao adotar um jeito de se movimentar a la Borat para compor seu Johnny Wilcox, um amante dos animais que se torna o rosto da poderosa empresa Mirando. Tilda Swinton, camaleoa como sempre, se destaca pelas personas adotadas na vida pública e privada, enquanto que um grupo radical com ares de Gandhi chama a atenção não apenas pela postura defendida, mas também sobre como executá-la – mais não deve ser dito, sob risco de estragar a experiência do espectador com spoilers. Tamanha diversidade não apenas alimenta a diversão, pelo comportamento exagerado de todos, mas também a reflexão. Especialmente quando Okja revela qual é o verdadeiro tema que lhe interessa: analisar o mundo corporativo e, de uma forma mais geral, o próprio capitalismo.

À medida que os bastidores da Mirando são revelados, desvenda-se uma realidade facilmente perceptível no mundo real: a importância dada à imagem em detrimento de atitudes, como se o visto fosse mais importante do que o feito – que pode ser completamente diferente do pregado, diga-se de passagem. O alvo maior de Joon-Ho está no complexo mundo das aparências corporativas, onde absolutamente tudo tem valor de mercado, especialmente o jeito descolado de ser e posturas politicamente corretas. O mais importante não é de fato realizá-las, mas sim passar aos consumidores tal mensagem de forma que eles, cada vez mais, adquiram os produtos negociados, sejam eles quais forem. Uma ciranda maliciosa que, mais do que fazer, deseja convencer. Custe o que custar.

Com um discurso constante de defesa à natureza, Okja paulatinamente caminha rumo a temas importantes sem jamais deixar de lado o entretenimento. Tanto que, especialmente no primeiro terço, o filme investe bastante em cenas de ação e até mesmo em um humor infantilizado, incluindo questionáveis situações escatológicas. Tudo para de imediato capturar a atenção do espectador de forma que, mais a frente, possa desvendar toda a batalha midiática até então oculta.

OkjaDiante de tamanha excelência de roteiro e execução, deve-se também destacar a qualidade do elenco. Se a jovem Seo-Hyun Ahn desponta pelo carisma e Tilda Swinton reprisa sua excelência habitual na criação de versões exóticas, Jake Gyllenhaal e Paul Dano entregam personagens absolutamente deliciosos, seja pelo linguajar corporal ou pelo idealismo exacerbado. Quem também chama a atenção é Giancarlo Esposito, não propriamente pela atuação mas pela escalação de forma que o público imediatamente remeta seu personagem a Gus Fring, o icônico vilão da série Breaking Bad, também por ele interpretado. Uma escolha inteligente de casting, por estender o papel além do que o próprio roteiro lhe oferece.

Com ótimos efeitos especiais, especialmente na tradução de sentimentos através do olhar, Okja é capaz não só de entreter, mas também de desnudar e questionar uma realidade tão presente no mundo contemporâneo. É interessante notar que, mesmo em seu desfecho, o filme não se rende à saída fácil das boas intenções e opta, intencionalmente, pelo confronto com as mesmas armas – o que, mais uma vez, ressalta a inteligência do roteiro, escrito em parceria por Jon Ronson e o próprio diretor. Excelente filme, para ver, se divertir e refletir.

Bem-Estar para Animais de Produção

Vacas ganham escovas para se coçar: Bem-Estar para animais de produção

Vacas ganham escovas giratórias: Alguns pesquisadores acham que as escovas mecânicas não são apenas uma futilidade de SPA para vacas leiteiras – eles são importantes para o bem-estar do animal.

Vacas, como cães e pessoas, gostam de uma boa “coçada”. Em liberdade, eles esfregam seus corpos contra postes ou árvores para remover parasitas ou ficarem limpos. Alguns fazem tanto, que eles podem quebrar torres de transmissão de rádio se você não cercá-las.

Mas muitas vacas leiteiras nos Estados Unidos nunca vão pastar. E mesmo quando o fazem, as vacas podem passar invernos amarradas em um celeiro. Então, se uma vaca tem uma coceira para coçar, o que ela pode fazer?

Em muitos locais, nada.

Mas em alguns lugares, há a escova mecânica.

Este aparelho, giratório e motorizado liga quando uma vaca o toca, permitindo que o animal alcance lugares do corpo que ele não poderia alcançar. Em média, as vacas passam sete minutos por dia esfregando suas cabeças, pescoços e costas nesses volumosos protetores corporais. E alguns pesquisadores acham que essas escovas mecânicas não são apenas uma futilidade de spa para vacas leiteiras – elas são importantes para o bem-estar do animal.

“Não temos idéia de como as vacas pensam”, disse Marina von Keyserlingk, que estuda bem-estar animal na Universidade da Colúmbia Britânica, no Canadá. “Mas o que sabemos é que elas estão altamente motivadas para se escovar. E o que acontece se não puderem?

Testando a vontade dos animais de trabalhar para ter acesso a ração fresca, escovas mecânicas e espaço vazio, a Dra. Von Keyserlingk e sua equipe treinaram vacas leiteiras prenhes, saudáveis ​​e cobertas para abrir um portão pesado. Olhando para o peso que eles estavam dispostos a empurrar antes de desistir, os pesquisadores tiveram uma ideia da importância relativa de cada recurso para as vacas.

Os pesquisadores suspeitaram que a escova viria em segundo lugar para as vacas famintas. Mas as vacas trabalhavam tão duro para a escova quanto comida fresca. Seus resultados, publicados na edição de quarta-feira da revista “Biology Letters”, sugerem que uma vaca pode precisar de escovas mecânicas para se alojar dentro de casa e que os produtores de leite deveriam considerar tê-las em seus celeiros.

As escovas podem beneficiar os agricultores, impedindo as vacas de destruírem superfícies dentro de celeiros e agradando aos consumidores que, cada vez mais, querem saber que os animais são saudáveis ​​e, mais importante, felizes.

Bem-Estar para Animais de Produção
Créditos: Benjamin Lecorps/UBC Animal Welfare Program

Para as vacas, o uso de escovas mecânicas pode afastar os surtos de parasitas, coçar e remover a pele morta. Mas a preparação também ajuda muitas espécies – talvez incluindo vacas – a lidar com o estresse.

“A maneira como vejo uma vaca se movendo sob essa escova vai muito além de aliviar essa coceira”, disse Temple Grandin, pesquisadora da Colorado State University, conhecida por seu trabalho sobre comportamento e bem-estar de animais de fazenda e que não esteve envolvida no estudo.

Os animais têm emoções, talvez não tão complexas, mas semelhantes aos humanos, ela disse (embora a natureza dessas emoções seja um tema atual entre os behavioristas de animais). Eles têm o mesmo sistema nervoso básico e os mesmos neurotransmissores em partes emocionais do cérebro.

“O que eles não têm é um córtex gigantesco que pode fazer coisas como voar até a lua ou construir aquele computador super complexo que você está usando agora”, disse a Dra. Grandin. “Eu vou dizer que a vaca leiteira gosta disso. É como ir ao spa.

Mas a Dra. Grandin e a Dra. Von Keyserlingk acham que, porque as vacas estão tão determinadas a chegar à escova, a limpeza pode ser mais parecida com a necessidade que temos de aparar nossas unhas.

Escovas mecânicas são necessárias na Dinamarca, mas não nos Estados Unidos ou no Canadá. E pode demorar um pouco até vermos mais delas, disse a Dra. von Keyserlingk, porque os estados e as províncias governam os cuidados com os animais nos Estados Unidos e no Canadá. Eles também são caros e de alta manutenção.

Em vez disso, a indústria e os consumidores podem impulsionar a demanda por escovas de gado.

“Se conseguirmos que a indústria assuma o controle e possa adaptar essas práticas recomendadas, elas serão muito mais ágeis do que a legislação”, de acordo com a Dra. von Keyserlingk.

No final, ela disse, “a ciência só pode nos dizer quais são as opções. Não pode nos dizer o que devemos fazer. ”

 

Fonte: The New York Times – 08/08/2018 – Science – por JoAnna Klein

Holanda proíbe uso de colar de garras

Na Holanda, o uso do chamado colar de garras foi proibido desde 1º de julho de 2018.

De acordo com a lei sobre o bem-estar animal, considera-se agora um ato de crueldade contra animais “usar ou amarrar um animal com um objeto com pontas afiadas ou dentes que possam causar dor”.

O uso de e-collars (colar eletrônico) continua a ser permitido no momento, mas será regulado em um momento posterior.

Veja texto traduzido do original em holandês e publicado em 02 de Julho de 2018, no site LICG.nl:

 

“A partir de 1 de julho de 2018, o colar de garras está proibido.

Uma importante lei que visa garantir a saúde e o bem-estar dos animais é a chamada ‘Animals Act’. A Lei Animal afirma que é proibido maltratar animais ou negligenciar animais.

Artigo 2.1 O Direito Animal estabelece a proibição da crueldade contra os animais e o Artigo 1.3 do Decreto dos Proprietários de Animais, que está ligado à Lei dos Animais, contém uma série de comportamentos concretos que devem ser rotulados como crueldade contra os animais. Por exemplo, é proibido abandonar, bater ou chutar um animal.

Em 1 de julho, foi acrescentado que o uso de ou a ligação ou alinhamento de um animal com um objeto com o qual o animal pode ser infligido dor por meio de saliências afiadas é proibido. Isso inclui as chamadas “tiras de punção”, colares com pontas afiadas, principalmente de metal ou plástico, destinadas a perfurar o pescoço de um animal. Formas de “coleiras anti-puxão” que funcionam dessa maneira também foram banidas.”

fontes:
https://www.fecava.org/en/newsroom/news/news-cat/the-netherlands-prohibits-prong-collars.htm
https://www.licg.nl/nieuws/per-1-juli-gebruik-prikband-verboden/

 

luto pela perda morte de um animal de estimação ethos animal

O luto por animais de estimação é uma realidade. E existe acompanhamento especializado

A ligação que desenvolvemos com os animais de companhia é diferente daquela que temos uns com os outros, mas não deixa de ser uma relação forte e de amizade. É por isso que, no momento da perda do animal e quando a saudade é mais difícil de digerir, faz sentido falar em acompanhamento.

A confissão de Barbra Streisand mostrou que a clonagem é um tema controverso. Mas o debate não se pode cingir ao processo em si: deve ser mais alargado e debruçar-se sobre as motivações que levam o dono de um animal falecido ou a sofrer de uma doença terminal a decidir cloná-lo. E, entre as razões, pode estar o sofrimento e a saudade do animal perdido.

Mas essa pode não ser a melhor solução: os donos estão à espera de um animal com a personalidade daquele que tiveram e o mais provável é que o animal não seja o que esperam. “No meu trabalho, acabo por me aperceber de experiências de famílias que estão a lidar com um segundo animal e que os problemas surgem de não se adaptarem à realidade de terem um animal diferente e tratarem o animal da mesma forma que tratavam do outro”, diz Rita Jacobetty, consultora de comportamento e bem-estar animal. Ainda que esta experiência não seja relativa a animais clonados, é também válida para esse contexto.

Como o veterinário do Centro Para o Conhecimento Animal (CPCA) Gonçalo da Graça Pereira descreve, “cada vez mais os animais de companhia fazem parte da família e do núcleo familiar. Cada vez mais falamos de uma família multiespécie, em que a mãe tira um dia de férias para ir com os filhos ao pediatra e com o cão e o gato ao veterinário”. É por isso que, como continua o veterinário especialista europeu em medicina do comportamento, faz sentido falar e reconhecer que nós, seres humanos – cada um com intensidades diferentes, tal como acontece quando é um ente querido que morre –, passamos por um processo de luto pelo animal que vivia connosco.

Até porque, como explica Tânia Dinis, psicoterapeuta que trabalha com processos de luto, entre os quais luto animal, a relação com um animal de companhia é um tipo de relação “muito próxima, que não tem ambivalências, sem as zangas que existem entre as pessoas e normalmente com um lado muito afetuoso”. A psicoterapeuta, que integra a equipa do CPCA, frisa ainda que, “de facto, os animais fazem muita companhia e são uma presença que está ali sempre – à exceção de sofrerem de alguma doença ou de terem algum acidente, não se vão embora”. Essa é uma certeza que, como assinala, nem sempre existe entre as pessoas. Entre nós, nessa perspetiva, criam-se relações mais inseguras.

O acompanhamento Não são poucas as pessoas que procuram apoio ao luto no momento em que perdem um animal de companhia, diz Tânia Dinis. E se algumas recuperam em meia dúzia de sessões, outras precisam de acompanhamento durante dois anos. E no que se baseia esse apoio? “Varia de situação para situação, mas há elementos mais ou menos constantes, como o organizar as memórias, ou seja, perceber qual foi o papel do animal na vida da pessoa – o que fica, o que deixa, o que pode ser lembrado”, explica a psicoterapeuta. É normal e inevitável, inicialmente, que a pessoa se sinta triste, “mas o que importa no contexto do acompanhamento é garantir que essa tristeza não é destrutiva”.

Algumas estratégias passam por levar a pessoa a procurar o apoio e o afeto das outras à sua volta. Nos casos em que a pessoa não tem essa possibilidade, é importante mostrar-lhe como pode criar ligações – ter outro animal ou arranjar amigos.

“O meu trabalho passa por ajudar a processar os sentimentos, perceber a função do animal para a pessoa e ajudar a pessoa a reorganizar a sua vida para voltar a construir redes emocionais e não se isolar”, explica Tânia Dinis.

Quando há crianças na família, a intervenção da profissional passa por explicar aos adultos da casa como devem lidar com as crianças no dia-a-dia, depois da perda, e o que lhes devem dizer. “A ideia é valorizar sempre o animal e recordar o lado positivo da experiência que se viveu com ele”, diz Tânia. A psicoterapeuta deixa um alerta: “Por exemplo, dizer à criança que o animal simplesmente desapareceu de casa é péssimo para os miúdos. É um susto e leva-as a questionar se pessoas, animais e as coisas de que gostam podem simplesmente desaparecer. Muitas vezes estamos a tentar protegê-las da tristeza, como se isso fosse possível, mas não é. Há coisas das quais não podemos protegê-las.”

Aqui no Brasil também é possível encontrar apoio e acompanhamento especializado em Luto pela perda ou morte de animais de estimação. Fale conosco para saber mais. Podemos ajudar.

[email protected]

Arranjar um novo animal logo a seguir à morte do anterior pode não ser, em todos os casos, a estratégia certa. “Se o animal era tão importante, a família precisa de um intervalo para sentir saudades dele, para fazer uma separação. Depois, quando a tristeza já não for tão grande e a família não sentir uma necessidade de substituição, para encher um vazio, pode então pensar em ter um animal pela mesma razão pela qual teve o anterior – porque acha que a família fica mais completa com um animal de companhia”, declara.

Vergonha social Da parte daqueles que não têm animais de companhia, existe alguma dificuldade em compreender o sentimento de perda e o sofrimento inerentes à morte de um animal. Há, por isso, uma certa censura da parte da sociedade em relação a isso – o que resulta num sentimento de vergonha da parte das pessoas que perderam o animal e que acabam por sofrer em silêncio.

Os especialistas com quem falamos dizem sentir isso no quotidiano da profissão. Gonçalo da Graça Pereira traça o problema. “Não é socialmente bem aceite que as pessoas sofram pela perda do seu animal. ‘Era só um cão, era só um gato’, ouvimos. E então acaba por ser um luto escondido, silenciado e silencioso. As pessoas não podem tirar um dia porque lhes morreu um animal”, nota. O veterinário defende que as pessoas deviam ter direito a tirar um ou dois dias, tal como acontece quando perdem um familiar. “Acho que há situações até de crianças que não deveriam ir à escola naquele dia porque os colegas que não têm animais não vão entendê-las, é um sofrimento demasiado profundo para elas. Devia ser um motivo de justificação de falta para a escola e para o trabalho”, afirma. “Felizmente, a sociedade está a mudar e cada vez é mais bem aceite que possamos sofrer pela perda do nosso animal”, remata.

Tânia Dinis acrescenta que uma das especificidades deste tipo de acompanhamento é precisamente “o facto de as pessoas à volta não entenderem o peso que pode ter esta perda. Enquanto em relação à perda de pessoas quase toda a gente tem um perspetiva semelhante, em relação à perda de animais não é assim. Mas é certo que, para as pessoas que têm uma ligação forte com os seus animais, a perda é enorme”.

Você tem dúvidas ou gostaria de saber mais sobre os Serviços e Cursos oferecidos pela Ethos Animal? Entre em contato através do e-mail [email protected]. Certamente poderemos ajudar a melhorar ou restabelecer o equilíbrio emocional no relacionamento com seu(s) pet(s).

Fonte: sol.sapo.pt | beatriz dias coelho

 

Escócia proíbe uso de colar de choque colar eletrônico e-collar em cães 01

Escócia proíbe uso de colar de choque (colar eletrônico) em cães

O uso do colar de choque em cães está prestes a ser efetivamente banido na Escócia. O Governo escocês confirmou a informação.

Ministros disseram em Novembro que poderiam continuar a permitir o uso destes equipamentos de treinamento.

Isso, mesmo apesar dos avisos de instituições de bem-estar animal de que os colares de choque causam sofrimento desnecessário

A Secretária de Meio Ambiente, Roseanna Cunningham anunciou que o Governo irá além.

O movimento segue uma campanha de MSPs, incluindo o conservador escocês Maurice Golden e Ben Macpherson do SNP, bem como instituições de caridade animal, incluindo o Kennel Club, o Scottish SPCA e The Dogs Trust.

Colares eletrônicos são utilizados para treinar animais com problemas comportamentais – mas os ativistas argumentam que são cruéis e questionaram sua eficácia como auxiliar no treinamento.

 

Completamente inaceitável

A Sra. Cunningham disse que tomou a decisão depois de ouvir as preocupações que foram levantadas – particularmente sobre a pronta disponibilidade na internet de dispositivos baratos que podem ser comprados por qualquer pessoa e usados ​​para descarregar choques elétricos dolorosos.

Ela acrescentou: “Decidi tomar medidas para proibir efetivamente e prontamente seu uso na Escócia. “Causar dor aos cães por métodos inadequados de treinamento é claramente e completamente inaceitável e quero que não haja dúvida de que o treinamento doloroso ou desagradável para cães não será tolerado”.

 

Escócia proíbe uso de colar de choque colar eletrônico e-collar em cães 02
O colar de choque permite que os tutores de cães lhes desfiram um choque elétrico no pescoço – Fonte: Getty Images

 

Cunningham disse que ela trabalharia com as autoridades para garantir que “qualquer pessoa que tenha causado dor aos cães através do uso de coleiras ou outros dispositivos possa ser processada como merece”. Ela confirmou: “Vou, portanto, emitir uma orientação ministerial forte sobre o uso de todos os dispositivos de treinamento dolorosos para que os tribunais tomem em consideração em todos os casos que lhes sejam apresentados quanto ao sofrimento desnecessário através do uso desses dispositivos”.

O guia preliminar já foi publicado, com a proibição de ser introduzida através de orientações emitidas no âmbito da Lei de Saúde e Bem-Estar Animal (Escócia) de 2006 nos próximos meses. O projeto de orientação afirma que: “Causar sofrimento desnecessário é uma infração ao abrigo da Lei de Saúde e Bem-estar Animal (Escócia) de 2006. Isso inclui o sofrimento causado por métodos inadequados de treinamento”. Uma vez finalizada a orientação, os tribunais poderão levá-la em consideração ao estabelecer a responsabilidade em processo.

 

Debate Holyrood

O governo disse em Novembro que reforçaria as restrições em torno do uso de coleiras eletrônicas para treinamento de cães, mas seu uso ainda seria possível sob supervisão. Ele também disse que estava trabalhando com treinadores para desenvolver uma qualificação reconhecida para aqueles que desejassem continuar usando os colares de forma “controlada e responsável” para ajudar a treinar cães.

Mas Cunningham disse que a qualificação proposta não seria criada. Os colares já estão proibidos no País de Gales, mas permanecem em uso na Inglaterra. O Parlamento escocês deveria debater o uso de coleiras de choque elétrico na quinta-feira à tarde, com os partidos da oposição que se espera unirem para pedir a introdução de uma proibição. O debate deveria ter sido liderado pelo Sr. Golden, com uma petição que apoia o convite atraindo cerca de 20 mil assinaturas na quarta-feira à tarde.

O anúncio da Sra. Cunningham na quarta-feira foi recebido por ativistas e políticos de todas as partes. O Sr. Golden disse que estava “muito satisfeito com o governo escocês finalmente anunciar a proibição do uso de coleiras de choque elétrico para cães, que eles ouviram nossa campanha e as 20 mil pessoas que assinaram minha petição”. E Harry Huyton, diretor da instituição de caridade animal OneKind, disse que as coleiras de choque elétrico eram “cruéis, desnecessárias e ineficazes”.

 

 

Fonte:  bbc.com news – 24.01.18

Final de semana com Mini Curso CivilizaCão: adestramento de cães para todos!

Mini Curso CivilizaCão: Novidades em adestramento e comportamento de cães para o público!

Turma no mini curso CivilizaCão e a Prof. Helena Truksa – 04 e 05/11/17

Neste final de semana tivemos a segunda edição do Mini Curso CivilizaCão.

Com o objetivo de alcançar o público em geral, desde tutores de cães até profissionais da área pet, como dogwalkers, pet sitters e adestradores, dentre outros, formulamos este mini curso de 5 horas de duração para levar aos interessados noções de adestramento, comportamento canino e bem-estar animal.

Como sempre, o embasamento científico e atualizado foi o carro chefe do evento, que contou com informações técnicas sobre treinamento de cães empregando apenas reforço positivo, sem punições de qualquer espécie e também curiosidades sobre comportamento e cognição canina.

As aulas

Os participantes que levaram seus cães, tiveram a oportunidade de praticar as técnicas de ensino-aprendizagem que utilizamos no treinamento, aplicando os exercícios aprendidos em tempo real, durante a aula.

A filosofia da Ethos Animal não faz distinção entre raças e idade dos animais, pois antes de serem raça eles são todos Cães, igualmente capazes de aprender e de se comunicar com outros cães e também com humanos.

Acima, uma American Pit Bull Terrier, Kyra, interagindo pela primeira vez com o garoto que conhecera no dia do curso. Desconstruindo a imagem negativa formada em torno da raça…

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Descontração e conteúdo de qualidade

Agradecemos a todos os participantes pelo empenho nas atividades e esperamos que o conteúdo absorvido seja proveitoso para o dia-a-dia com os amigos caninos, melhorando a comunicação, a qualidade de vida e o bem-estar geral! 🙂

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Próximas edições

Quer participar do Mini Curso CivilizaCão? Acompanhe as novidades através da fanpage da Ethos Animal no Facebook e fique por dentro das datas de todos os nossos eventos, incluindo o CivilizaCão!

Nossa página: www.facebook.com/EthosAnimal

 

 

Mini Curso Comportamento Canino na Semana Temática da Biologia IB-USP

Mini Curso Comportamento Canino Etologia Ethos Animal
Prof. Helena Truksa (à direita), sua assistente Luiza Wolbert e o cão Lucky, em aula sobre comportamento e aprendizagem em cães, no IB-USP.

Nossa fundadora, a Bióloga Helena Truksa foi convidada a ministrar um mini Curso durante a 20a Semana Temática da Biologia, no Instituto de Biociências da Universidade de São Paulo (IB-USP).

Nos dias 3 e 4 de Outubro (2017), Helena conduziu o Mini Curso intitulado ” Introdução ao Comportamento, Bem-estar e Aprendizagem em Cães (Canis familiaris), abordando desde as prováveis origens da espécie até as mais recentes descobertas científicas no âmbito da etologia aplicada e cognição canina.

O tema, altamente atual, foi amplamente debatido durante as aulas, onde houve ativa participação dos alunos através de comentários ou questionamentos.

No segundo dia de curso, além da teoria, tivemos também uma parte prática com demonstrações de aprendizagem e cognição em um cão (nosso “sujeito experimental”, o Lucky).

Agradecemos à equipe organizadora do evento e ao IB-USP pela oportunidade de estarmos presentes durante a 20a Semana Temática da Biologia e esperamos poder colaborar novamente na próxima edição!

Instituto de Biociencias IB-USP mini curso comportamento canino semana temática da biologia ethos animal helena truksa 12
Slide inicial do curso.

A Ethos Animal está disponibilizando este mesmo curso ao público interessado, e as datas serão divulgadas em breve aqui em nosso site.

Acompanhe os próximos eventos e fique por dentro, clicando aqui.

Resumo do programa do curso, divulgado no site do Instituto de Biociências, IB-USP. Helena Truksa Ethos Animal
Resumo do programa do curso, divulgado no site do Instituto de Biociências, IB-USP.

Algumas imagens do evento…

Sobre o uso das coleiras enforcadoras em cães

Infelizmente ainda é muito comum vermos profissionais ensinando a utilizar este tipo de equipamento para os cães a não puxarem a guia. Eles utilizam uma metodologia ultrapassada que tem como base punir os comportamentos indesejados para eliminá-los, o objetivo das coleiras enforcadoras é o cão associar o puxar a guia aos trancos. Esses trancos além de incômodos e doloridos podem causar problemas de saúde ao cão, como o aumento da pressão intraocular, colapso de traqueia e até mesmo lesões neurológicas.

Treinamentos baseados em reforço positivo não utilizam qualquer forma de intimidação física ou psicológica, são mais eficazes e não causam danos à saúde do cão. Conheça o adestramento positivo e eduque seu cão com carinho e respeito!

 

Curso Comportamento de Cães e Gatos na FMVZ – USP

Recentemente, Helena Truksa foi convidada a ministrar uma palestra no CURSO COMPORTAMENTO CANINO E FELINO, sediado pela Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da Universidade de São Paulo FMVZ – USP.

O curso foi organizado pela empenhada equipe do GEBEA (Grupo de Estudos de Bem-estar Animal), da mesma Universidade e o público alvo era composto por estudantes e formados em veterinária, adestradores, profissionais da área da saúde e público em geral.

Palestra “Ansiedade e Transtornos Compulsivos em Animais de Estimação”

cachorro ou lobo

Convite a uma reflexão: Você é o líder ou pai/mãe do seu cão?

Temos dois principais tipos de tutores de cães, aqueles que tratam o cão como um lobo doméstico e assumem o papel de “líder da matilha”, e os que tratam seus cães como filhos peludos e com quatro patas. Mas afinal quem está certo? Para responder esta questão o convido para uma reflexão em cima desta leitura onde abordarei a teoria da dominância e as bases do relacionamento do cão com o ser humano.

Sobre a teoria da dominância:

“Os lobos formam grupos baseados em uma hierarquia estruturada e competem para se tornar o ‘alfa’. Afirmam sua dominância sobre outros lobos de forma agressiva sempre visando garantir o melhor para o bando. Os cães por descenderem dos lobos, portanto, irão fazer o mesmo. Mesmo que o cachorro viva com humanos, ele deverá sempre ser um membro de uma matilha, por isso o tutor e sua família têm que ter a “posição” mais elevada do que a do cachorro para ter o respeito dele”.  Tais afirmações são amplamente difundidas em diversos livros de adestramento e até programas de televisão! O que há de errado nestas afirmações? Tudo!

20150421_182632 (2)Primeiramente gostaria de esclarecer que é comum dentro da etologia o estudo por comparação entre espécies semelhantes, mas isto não quer dizer que seja a única nem a mais eficaz. Somos geneticamente muito semelhantes aos gorilas, chipanzés e bonobos, o que não faz automaticamente nos comportarmos igual a eles! Muito do material disponível sobre o comportamento lupino é baseado em estudos feitos com lobos em cativeiro. Diversos exemplares capturados da natureza ou cedidos por zoológicos foram mantidos em um determinado espaço obrigando-os a competir pelos recursos, algo que costumo comparar ao reality show Big Brother, onde diversas pessoas são confinadas em uma casa para competir pelo prêmio.

Limitados dentro deste espaço manipulado e organizado pelos pesquisadores os lobos não expressaram seus comportamentos naturais. Diante daquele ambiente artificial e muito estressante os animais passaram a apresentar diversas anomalias de comportamento, como por exemplo, a promiscuidade. Estudos recentes, com tecnologias como o rastreamento por GPS, permitiram estudar o lobo em seu habitat natural e descobrirmos que a matilha nada mais é do que uma família onde os filhotes mais velhos ajudam os pais na criação dos irmãos mais novos. Os lobos são fiéis, formam casais para toda a vida e os filhotes os acompanham e auxiliam até atingirem a maturidade, por volta dos dois anos, quando se afastam do grupo para procurar um parceiro e constituir sua própria família.

Essa estrutura é muito parecida com as famílias humanas e não são firmadas pela força física como se concluiu equivocadamente nos estudos anteriores. Para resumir a confusão feita, além de no ambiente artificial terem criado uma situação onde não foi possível compreender o comportamento dos próprios lobos, ainda o projetaram nos cães apenas por serem geneticamente muito próximos.

A domesticação separou cães e lobos de seu ancestral comum há pelo menos 15 mil anos, o que alterou muito o comportamento deles em razão da adaptação ao convívio com a nossa espécie. O processo de domesticação alterou tanto os cães que eles não são capazes de formar grupos estáveis nem sobreviverem sem o auxílio do ser humano. Atualmente temos muitos cães que não sabem nem ao menos se comunicar com outros cães, grande maioria porque são separados precocemente da mãe e dos irmãos justamente na fase de seu desenvolvimento assimilaria a identificação com a sua espécie.Tente imaginar os efeitos de milênios de domesticação somados a demais fatores como este! Nunca ouviu ninguém dizer que o seu cão parece pensar que é gente?

Pois é, talvez em meio a toda essa confusão ele possa achar mesmo! Mas a comunicação dos cães e socialização interespecífica são um tema que necessitaria de outro texto para poder deixar o assunto bem claro (inclusive anotei como sugestão de tema para uma próxima oportunidade). Enfim, lobos e cães são espécies diferentes e apresentarem comportamentos diferentes, portanto não devemos tratar nossos cães como lobos domesticados, ainda mais se baseados em uma teoria que já é equivocada sobre o comportamento dos próprios lobos!

Sobre tratar os cães como crianças:

Se você leu o texto até aqui já deve ter entendido que cães não são lobos e não existe este conceito de líder de matilha, mas assim como os cães não são lobos domésticos eles também não são crianças peludas e com quatro patas. A lupinização e humanização são dois dos principais fatores que resultam nos problemas comportamentais que sou chamada para ajudar os tutores a solucionar.  Precisamos a partir de aqui deixar bem claro que lobos são lobos, crianças são humanos e cães são cães.

Estudos científicos recentes apontam através de testes utilizando ressonância magnética que os cães possuem emoções e ativam durante o contato com seus tutores a mesma parte do cérebro que ativam com a mãe quando filhotes. Estudos realizados em humanos chegaram a mesma conclusão, ainda amparados por exames de sangue indicando a produção de oxitocina (conhecido como o hormônio do amor, o mesmo produzido durante pela mãe durante a gestação e responsável por gerar o vínculo com o bebê). Quem convive com cães percebe que há muito amor envolvido e a ciência apenas comprovou o que todo “cachorreiro” já sabia, mas isso não faz com que os cães deixem de ser cães e se tornem pessoas peludas e de quatro patas!

Os cães apesar de todo o processo de domesticação ainda têm necessidades diferentes dos seres humanos e estas são diretamente relacionadas a sua saúde e bem-estar. Cães humanizados sofrem por não poderem expressar seus comportamentos naturais e são frequentemente cobrados de seus tutores como se fossem capazes de um entendimento pertencente exclusivamente aos seres humanos. Quem nunca ouviu algum tutor afirmar que seu cão sabe que fez coisa errada porque percebe que ele se sente culpado depois de aprontar? Quem nunca ouviu alguém reclamar que seu cão é ingrato porque lhe mordeu quando foi tirar-lhe um alimento inadequado da boca? Quem nunca ouviu a afirmativa de que seu cão é muito feliz porque dorme o dia todo as únicas preocupações são comer e dar uma voltinha na quadra para fazer o xixi? Projetamos expectativas demais em nossos cães quando os humanizamos e acabamos por julgá-los equivocadamente. A maioria dos cães domésticos vive em um limbo entre as espécies canina e humana, de forma que não conseguem se comunicar bem com nenhuma das duas. Ter projetado em cima de si expectativas muito maiores do que a sua capacidade te parece algo agradável? Os cães não entendem o porquê estamos frustrados com eles, mas sofrem com nossas reações em relação a eles devido a estas frustrações. Não te parece uma carga muito pesada?

Já vi casos de cães que não saem para passear sem ser no colo ou em carrinhos e bolsas, não podem pisar na grama porque usam sapatinhos e até que passaram muito mal após comerem o delicioso ovo de chocolate que ganharam de presente na Páscoa (chocolate é extremanete tóxico para cães!). Precisamos refletir sobre esse amor, pois se amamos nossos cães devemos aceitá-los como realmente são e não tentar fazer deles caricaturas humanas. Que “graça” tem tirar do cão justamente o que ele tem de mais maravilhoso? O que cativa nos cães é serem tão diferente das pessoas, não julgarem pelas aparências, viverem no presente, demonstrarem seus sentimentos sem medo e sua espontaneidade, dentre tantas outras qualidades!

Os cães urbanos além de passarem muitas horas sozinhos são mantidos em algum nível de privação física e sensorial, o que causa depressão e problemas de comportamento e de saúde. Um cão feliz é aquele que consegue ter satisfeitas as necessidades naturais de sua espécie e raça. Além dos cuidados básicos como alimentação adequada e higiene (vacinas, vermífugos, pulgicida, banhos e etc), cães precisam de atividades físicas, mentais e sociais. Cães precisam correr na grama, rolar em coisas fedorentas (vale deixar apenas antes de entrar direto para o banho, ok!), perseguir passarinhos, latir, brincar com outros cães, cheiras as “partes” desses outros cães, experimentar sabores diferentes da ração que é servida todo dia ( consulte um veterinário para saber quais alimentos podem ser oferecidos e quais as quantidades ideais), enfim viverem de modo que possam expressar seus comportamentos naturais. Claro que temos limitações impostas pelos centros urbanos e pela rotina corrida, mas nossos cães merecem que lhes proporcionemos o mais próximo que consigamos chegar disto. Pesquise sobre comportamento e psicologia caninos, enriquecimento ambiental, se necessário, busque o auxílio de um comportamentalista, contrate um dog walker de confiança, para tudo tem um jeito quando se tem vontade! Ser pai ou mãe de cachorro é enfrentar o desafio de compreender uma outra espécie e respeitar sua natureza, se tornar um pouco cão e, consequentemente, uma pessoa melhor!

PS: também pretendo escrever sobre os temas “ a culpa que o cão demonstra quando descobrem suas artes” e enriquecimento ambiental, temas que abordei por cima neste texto e com certeza merecem uma atenção maior.