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Autor: Ethos Animal

Somos uma empresa pioneira no mercado de Comportamento e Bem-Estar Animal aplicado no Brasil, atuantes desde 2004. Priorizamos a ética na condução dos procedimentos, sempre com embasamento científico atualizado. Atendimentos personalizados de acordo com cada caso em particular. A ETHOS ANIMAL é dirigida pela Bióloga Especialista em Comportamento Animal, Helena Truksa.

Cães e Humanos Benefícios da coevolução

Cães e Humanos: benefícios da coevolução

Entrevista concedida pela Bióloga Helena Truksa, ao Portal Melhores Amigos


Cães e Humanos: benefícios da coevolução

Atualmente, muitos estudos já indicam que a interação do ser humano com o animal de estimação pode gerar melhora na saúde dos tutores e das famílias. Mas o que sabemos a respeito dos efeitos positivos na saúde do pet?

 

“A interação equilibrada entre humano e animal pode gerar benefícios físicos e mentais para ambos desde que sejam respeitadas as características da espécie animal em questão – explica a bióloga especialista em comportamento e bem-estar animal Helena Truksa, fundadora da Ethos Animal –  em se tratando de cães, por conta do histórico evolutivo da espécie e sua grande proximidade com seres humanos, os benefícios mútuos se tornam mais visíveis e mais profundos, já que somos parte de um processo de coevolução de milhares de anos. Dentre as espécies domesticadas, o cão é a que mais se destaca pela grande conexão emocional com humanos. Neste caso, o animal forma vínculos afetivos profundos com sua família humana”.

 

A receptividade ajuda o cão até mesmo a fortalecer o sistema imunológico pois trocas afetivas são potentes ativadores da produção e liberação de neurotransmissores e hormônios importantes para o bem-estar físico e psicológico do indivíduo (tais como oxitocina, serotonina e dopamina). E quando o organismo está com o stress “sob controle”, mantidos em níveis baixos, a imunidade aumenta.

 

Por outro lado, animais altamente sociais e dotados de sistema nervoso complexo são propensos a quadros depressivos. Isso pode ser visto em cães, primatas em geral e aves psitaciformes (famílias dos papagaios e cacatuas). O processo de domesticação também favorece a predisposição a este quadro emocional. Os sintomas são vários e o diagnóstico do problema depende de muitos fatores e do contexto em que são exibidos. Lembrando que estes sintomas podem também estar associados a quadros clínicos.

 

“A consulta veterinária é indispensável antes de se pensar em tratamento comportamental, como forma de descartar problemas puramente físicos. De forma geral, animais em quadro depressivo podem apresentar, com maior frequência e constância a perda de apetite (com consequente perda de peso), redução na atividade motora (mostra-se menos interessado nas atividades rotineiras que antes lhe geravam prazer, como brincar, correr, passear, etc.); aumento dos períodos de sono (dorme mais do que o habitual); queda de pelos e aumento ou surgimento de episódios de agressividade”, enumera Helena.

 

Mas, no caso de animais que sofrem de ansiedade de separação, ou são muito carentes, como amenizar o problema?

 

“Promover atividades interativas que preencham o tempo livre deste animal é fundamental – é o chamado enriquecimento ambiental. Também é necessário fazer com que o animal desenvolva mais tolerância aos períodos de ausência do tutor. Esse trabalho deve ser feito com auxílio de um profissional terapeuta devidamente qualificado”.

 

Além da aplicação de protocolos de modificação comportamental, o auxílio de um profissional terapeuta devidamente qualificado ajuda o animal a desenvolver tolerância aos períodos de ausência do tutor, de forma tranquila e com o mínimo de estresse.

 

Claro, esses períodos devem ser os mais breves possíveis, principalmente se o animal for “filho único”. “Cães são altamente sociais e precisam estar acompanhados por pessoas ou outros cães (mas principalmente por pessoas). Ter um segundo cão pode ajudar a reduzir o impacto da solidão, mas se a dinâmica familiar não for devidamente organizada, com rotinas definidas, e com equilíbrio emocional, a pessoa pode ter dois cães sofrendo com SAS (síndrome da ansiedade por separação) ao invés de apenas um!

 

“É importante que tutores e aqueles que desejam se tornar tutores saibam que os cães não devem ser deixados sozinhos por longos períodos. Se você trabalha fora de casa, digamos, das 8h às 18h, deixá-lo sozinho por todo esse tempo é um exercício cruel. A recomendação é que, se não puder ter mais um cachorro para fazer companhia, manter alguém em casa pelo menos por um certo período do dia, ou recorrer a uma creche canina, reconsidere a opção de procurar um cão”, conclui a especialista.

TEXTO ORIGINALMENTE PUBLICADO NO PORTAL MELHORES AMIGOS
okja filme

Okja: um ótimo filme que vai além da defesa animal

Não é de hoje que o cinema investe na forte amizade existente entre crianças e animais, assim como em desventuras onde um precisa ajudar ao outro. Trata-se de uma proposta de fácil identificação, pela relação pré-existente dos espectadores com seus animais de estimação. Por mais que também aborde tal proximidade, classificar Okja apenas neste sentido é um tremendo erro. Há bem mais a ser dito nesta alegoria ao mundo moderno, desenvolvida a partir de elementos fantásticos pelo diretor Bong Joon-Ho.

Okja Tilda Swinton filmes ethos animalJá em seu início, Okja é impactante. Em uma apresentação em ritmo frenético estrelada por uma Tilda Swinton a la personagem de anime, graças aos movimentos amplos e eufóricos, toda a ambientação em torno do surgimento do super porco é estabelecida. Mais ainda: é possível notar a importância da publicidade dentro de tal anúncio, justamente pela forma como cada informação é apresentada. A velocidade de dados jogados na tela de forma a desorientar mais do que explicar é proposital: a ideia é deixar atordoado quem assiste, de forma que não tenha (muitas) condições de raciocinar sobre o tema naquele instante e, obviamente, não surja qualquer questionamento. A absorção tácita é maior, este é o objetivo.

Diante disto, o espectador leva até um certo choque quando o filme parte para a década seguinte. Numa das fazendas selecionadas, com sua típica vida pacata, o propagado super porco enfim é apresentado como um misto de hipopótamo e cachorro, extremamente dócil e fiel. Nasce então a amizade entre Okja e Mija (Seo-hyun Ahn), uma garota de 14 anos que, com ares de heroína, fará o que for necessário para permanecer ao lado de sua fiel amiga.

OkjA partir deste contexto fantasioso, Bong Joon-Ho apresenta um sem-número de personagens extremamente criativos e exagerados que, cada um à sua maneira, surgem como reflexo ao mundo real. Jake Gyllenhaal, por exemplo, surpreende ao adotar um jeito de se movimentar a la Borat para compor seu Johnny Wilcox, um amante dos animais que se torna o rosto da poderosa empresa Mirando. Tilda Swinton, camaleoa como sempre, se destaca pelas personas adotadas na vida pública e privada, enquanto que um grupo radical com ares de Gandhi chama a atenção não apenas pela postura defendida, mas também sobre como executá-la – mais não deve ser dito, sob risco de estragar a experiência do espectador com spoilers. Tamanha diversidade não apenas alimenta a diversão, pelo comportamento exagerado de todos, mas também a reflexão. Especialmente quando Okja revela qual é o verdadeiro tema que lhe interessa: analisar o mundo corporativo e, de uma forma mais geral, o próprio capitalismo.

À medida que os bastidores da Mirando são revelados, desvenda-se uma realidade facilmente perceptível no mundo real: a importância dada à imagem em detrimento de atitudes, como se o visto fosse mais importante do que o feito – que pode ser completamente diferente do pregado, diga-se de passagem. O alvo maior de Joon-Ho está no complexo mundo das aparências corporativas, onde absolutamente tudo tem valor de mercado, especialmente o jeito descolado de ser e posturas politicamente corretas. O mais importante não é de fato realizá-las, mas sim passar aos consumidores tal mensagem de forma que eles, cada vez mais, adquiram os produtos negociados, sejam eles quais forem. Uma ciranda maliciosa que, mais do que fazer, deseja convencer. Custe o que custar.

Com um discurso constante de defesa à natureza, Okja paulatinamente caminha rumo a temas importantes sem jamais deixar de lado o entretenimento. Tanto que, especialmente no primeiro terço, o filme investe bastante em cenas de ação e até mesmo em um humor infantilizado, incluindo questionáveis situações escatológicas. Tudo para de imediato capturar a atenção do espectador de forma que, mais a frente, possa desvendar toda a batalha midiática até então oculta.

OkjaDiante de tamanha excelência de roteiro e execução, deve-se também destacar a qualidade do elenco. Se a jovem Seo-Hyun Ahn desponta pelo carisma e Tilda Swinton reprisa sua excelência habitual na criação de versões exóticas, Jake Gyllenhaal e Paul Dano entregam personagens absolutamente deliciosos, seja pelo linguajar corporal ou pelo idealismo exacerbado. Quem também chama a atenção é Giancarlo Esposito, não propriamente pela atuação mas pela escalação de forma que o público imediatamente remeta seu personagem a Gus Fring, o icônico vilão da série Breaking Bad, também por ele interpretado. Uma escolha inteligente de casting, por estender o papel além do que o próprio roteiro lhe oferece.

Com ótimos efeitos especiais, especialmente na tradução de sentimentos através do olhar, Okja é capaz não só de entreter, mas também de desnudar e questionar uma realidade tão presente no mundo contemporâneo. É interessante notar que, mesmo em seu desfecho, o filme não se rende à saída fácil das boas intenções e opta, intencionalmente, pelo confronto com as mesmas armas – o que, mais uma vez, ressalta a inteligência do roteiro, escrito em parceria por Jon Ronson e o próprio diretor. Excelente filme, para ver, se divertir e refletir.

CSI Animal Vida selvagem

Laboratório de investigação forense nos EUA atua em crimes contra animais

Ajudando a resolver os crimes contra animais mais selvagens, a primeira pergunta: de que espécie era a vítima?

A jovem águia dourada na mesa de operações não demonstrou sinais externos de trauma. Um raio-X não revelou fraturas.

Mas este pássaro, uma espécie protegida, estava morto – e é por isso que estava aqui, em laboratório. Ele havia sido enviado para essa pitoresca cidade universitária por agentes federais em algum lugar do Ocidente, que suspeitavam ter sido eletrocutado por linhas de energia. Agora sua carcaça era evidência em uma investigação que poderia levar a acusações criminais contra uma empresa de serviços públicos.

Um patologista veterinário estava prestes a abrir a ave na esperança de determinar sua causa de morte. Essa instalação federal incomum, o único laboratório forense de serviço completo do mundo para crimes contra a vida selvagem, analisa milhares de criaturas que a cada ano cruzam seu limite na forma de carcaças, peças e produtos. Sua missão é usar a ciência para descobrir como o animal morreu – e muitas vezes, para descobrir que tipo de animal era.

“No trabalho policial, você sabe o que é sua vítima – é o Homo sapiens”, disse Ken Goddard, um ex-investigador de cena de crime que agora dirige este lugar, o Laboratório Forense do Serviço de Pesca e Vida Selvagem dos EUA. “Nosso primeiro trabalho é descobrir o que a vítima é.”

Laboratório de investigação forense nos EUA atua em crimes contra animais Ethos Animal Comportamento 05
A patologista veterinária Rebecca Kagan tira uma foto durante uma necropsia de uma águia-real, uma ave protegida que era suspeita de ter sido eletrocutada por linhas de energia.

O crime contra a vida selvagem é uma empresa global multibilionária que, segundo os especialistas, só aumenta à medida que as redes de caça e tráfico crescem mais sofisticadas e avançam para os cantos escuros da Internet. Quando as autoridades interrompem esse empreendimento, esse laboratório costuma ser uma parada crítica em suas investigações. Seus cientistas realizam testes de DNA, examinam balas, identificam venenos e comparam os restos mortais a cerca de 35.000 exemplares da coleção de referência do laboratório – uma panóplia macabra de peles, ossos, penas e garras.

Quando 13 águias-brancas apareceram mortas em um campo de Maryland há dois anos, os químicos descobriram que foram mortas por um pesticida proibido. Quando um misterioso canino parecido com um lobisomem foi baleado em Montana neste verão, os geneticistas concluíram que era apenas um lobo de aparência estranha. Quando um membro de uma infame gangue irlandesa se confessou culpado no ano passado de exportar ilegalmente uma xícara de chifre de rinoceronte, ele o fez depois que o laboratório determinou que a embarcação era feita de um grande rinoceronte indiano ameaçado de extinção.

Não que Goddard ou seus colegas lhe digam isso.

“Nós nunca ligamos para ver como o caso foi no tribunal”, disse ele. “A estrela de ouro na parede é uma apresentação bem-sucedida, não um processo bem-sucedido”.

O laboratório de 40 mil metros quadrados é um prédio federal, mas parece quase pitoresco, em comparação com as fortalezas de Washington. Os visitantes não passam por detectores de metal, embora as evidências sejam às vezes radiografadas na chegada. Um novo portão de barreira do estacionamento foi instalado neste verão para deter bombardeiros de caminhões, não por causa de uma ameaça específica, disse Goddard, mas porque é um protocolo nas instalações do governo. Goddard ironiza que alguns funcionários da sede nem sabem que o laboratório de 34 funcionários existe.

Mas o laboratório está na vanguarda desse tipo de ciência. Seus refrigeradores genéticos armazenam dezenas de milhares de amostras de DNA animal. Seu vice-diretor, Ed Espinoza, fez várias descobertas, incluindo um método para identificar tipos de marfim e o uso de um espectrômetro de massa para determinar a espécie e, às vezes, a origem da madeira – um alvo crescente dos traficantes. O biólogo Johnnie French viaja para países africanos para treinar guardas florestais em técnicas de investigação da cena do crime (CSI) para usar quando encontram rinocerontes e elefantes.

Mas o trabalho principal de French é como uma espécie de curador e gerente de uma coleção macabra que reflete o fascínio de longa data dos seres humanos em reunir animais vivos e mortos. Uma sala após outra no laboratório guardam cacifos e gavetas de metal cheios de espécimes que foram apreendidos pelas autoridades ou doados: um armário de peles felpudas, uma bandeja de pássaros-do-paraíso em tons de arco-íris, uma bolsa bizarra feita de macaco. , a pele bronzeada e camurça do rosto de um elefante. A coleção é tão vasta que o laboratório logo começa a trabalhar em um novo depósito de 14.000 pés quadrados para abrigá-lo.

Um armário de armazenamento, chamado “BACULA – ÓRGÃOS SECOS”, contém ossos de pênis de animais reais e moldes. (Um item de um pé vendido para fins medicinais falsos como um pênis de tigre era na verdade de um touro, descobriu o laboratório.)

French dá o que ele chama de “tour de paisagens e cheiros”, que começa com uma pequena sala onde as larvas de besouros comedores de carne em caixas transparentes retiram a carne de ossos de animais para que possam ser analisadas ou armazenadas para referência. Do outro lado do corredor, fica a sala de preparação do francês, onde ele tira a pele das amostras recém-adquiridas.

“Esse cara é um dos meus favoritos”, disse French, um ex-soldado pára-quedista, enquanto puxava uma víbora Gaboon morta, mas muito viva, de um freezer ambulante, uma das várias cobras apreendidas em uma investigação federal em Nevada. “Esse garoto do ensino médio tinha 43 das cobras mais venenosas em seu quarto. E a mãe dele não fazia ideia.

Uma hora depois, uma entrega da FedEx veio: Duas caixas de carcaças congeladas do zoológico de Santa Ana, na Califórnia, que, como outros zoológicos, doam para a coleção do laboratório. Este continha uma ema, vários primatas e um tamanduá gigante que, descobriu French quando rasgava várias camadas de sacolas plásticas, sentia falta da cabeça por motivos que não conhecia.

“Processarei cada um dos seus dígitos individualmente. Dessa forma, podemos sempre voltar em cinco anos ou 10 anos e dizer: “Você sabe, este colar parece ter garras de tamanduá gigante”, explicou ele. Saber o que cada garra parece ajudaria os cientistas a determinar se tal colar era “feito de um indivíduo ou três”.

O laboratório lida principalmente com casos federais, mas também é o laboratório oficial do partido das 182 nações da CITES, a Convenção sobre o Comércio Internacional de Espécies Ameaçadas de Fauna e Flora Silvestres. Goddard foi contratado para ajudar a lançá-lo em 1979, após o que ele descreveu como vários anos trabalhando como “diretor de um laboratório policial na Califórnia do sul desenterrando corpos no deserto”. A instalação acabou em Ashland, uma cidade ladeada por duas montanhas. fica ao norte da fronteira com a Califórnia, em parte porque um quiroprático local pressionou os senadores do Oregon a apoiar o projeto.

O laboratório começou a trabalhar casos uma década depois, e Goddard, um homem de 72 anos com a voz grave de um locutor de rádio, está lá desde então. Ele diz que o trabalho deu a ele a confiança de que ele considerará sua vida profissional como significativa; também é fornecido forragem para o seu show-lado como romancista de crime.

“O senso de humor é importante”, disse Goddard enquanto estava entre vários produtos de origem animal exibidos no laboratório de morfologia, que, ele enfatizou com um sorriso, nunca encontrou uma amostra de um gato. “Você não pode se levar muito a sério nesse trabalho.”

O diretor do laboratório, Ken Goddard, ex-diretor do laboratório de polícia, foi contratado para lançar a instalação da vida selvagem em 1979.
O diretor do laboratório, Ken Goddard, ex-diretor do laboratório de polícia, foi contratado para lançar a instalação da vida selvagem em 1979.

Naquela tarde, a patologista veterinária Rebecca Kagan levou a águia-real morta para um quarto dos fundos e apagou as luzes. Usando óculos de proteção vermelhos, ela segurava uma fonte de luz alternativa, do tipo usado com freqüência na perícia para detectar impressões digitais. Mas, como ela e seus colegas haviam descoberto anos antes, também pode revelar lesões elétricas no cabelo ou nas penas.

Kagan ficou surpreso ao não encontrar nenhum no pássaro, então ela o levou de volta para a mesa de metal elevada. Logo, ela encontrou outra surpresa. O sangue foi reunido em pontos dentro da águia dourada, que ela começou a esculpir.

“Não é realmente consistente com a eletrocussão. Interessante ”, disse Kagan. Isso poderia ter sido causado pela ingestão de veneno de roedores, segundo ela, que os químicos teriam que determinar.

Um gráfico na parede do laboratório mostrou várias pelotas de fuzil. Outro explicou como diferenciar águias douradas e carecas de restos esqueléticos.

As descobertas do laboratório foram frequentemente usadas em processos sob a Lei do Tratado sobre Migração de Aves. Mas a administração Trump disse nesta primavera que não aplicaria mais o tratado, de 100 anos este ano, a assassinatos não intencionais de pássaros. Águias douradas e carecas permanecem amplamente protegidas sob outra lei federal, no entanto, as aves continuam a aparecer em Ashland.

Do outro lado da sala, Tabitha Viner, também patologista veterinária, usava luvas cirúrgicas roxas e escutava Simon e Garfunkel enquanto examinava uma águia careca que poderia ter sido atingida por uma turbina eólica.

“Em uma autópsia humana, as pessoas não escondem suas contusões”, mas os animais sim, disse Viner. “A pergunta dos agentes especiais é sempre: um humano matou?”

Viner, que já trabalhou no Smithsonian’s National Zoo, fez um raio X de seu pássaro, e agora ela estava sentada na frente de um computador, inspecionando os resultados.

“Ambas as asas estão fraturadas. Este úmero está meio desaparecido. Esta perna está fraturada ”, disse ela, acrescentando que todos eram sinais de um impacto de força brusca de alta velocidade mais prejudicial do que, digamos, uma colisão de carros.

“O ícone da nossa nação”, ela disse calmamente enquanto continuava a examinar a carcaça. “Meio quebrado.”

Veja o site do laboratório aqui.

Uma gaveta contendo pássaros-do-paraíso pode ser encontrada como parte da coleção no laboratório forense.
the washington post – Texto por Karin Brulliard | Fotos de Leah Nash
alimentação afetiva e obesidade em cães e gatos

Alimentação afetiva e obesidade em cães e gatos

Atualmente, 59% dos cães e 52% dos gatos em todo o mundo estão acima do peso e esses números podem ser explicados pelas novas relações entre os donos e seus pets. Uma pesquisa internacional realizada com tutores de animais de estimação do Brasil, China, Rússia, Reino Unido e Estados Unidos, mostrou que 59% dos tutores de cães e gatos disseram que se sentem recompensados ao alimentar seu animal de estimação e 77% disseram que seu animal fica feliz quando oferecem alimento a ele. Esses resultados foram apresentados durante o Congresso ROYAL CANIN® sobre Controle de Peso, que ocorreu no Reino Unido no início deste ano.

Para o médico-veterinário e professor da Faculdade de Ciências Agrárias e Veterinárias da Unesp Jaboticabal, Dr. Aulus Carciofi, o crescimento da obesidade nos pets pode ser explicado por uma combinação de fatores: mudança de ambiente, castração e a humanização dos pets. “Hoje, os cães e gatos ficam em casa, eles não se exercitam como faziam há 20 anos, não o mesmo que fazem hoje, com um passeio. A castração também pode ocasionar a obesidade, apesar dos benefícios que traz, e tudo isso ainda é somado com a humanização, que é tratar os pets como membros da família. A comida possui uma relação afetiva com o ser humano, por isso achamos que estamos demonstrando amor ao ceder mais um petisco”, explica Carciofi.

Apesar dos números altos de obesidade, a pesquisa aponta que apenas 24% dos tutores de cães descrevem seu animal de estimação com excesso de peso. Um dos motivos dessa desproporciabilidade pode ser a falta de acompanhamento do médico-veterinário na dieta e orientação aos tutores. Apesar de muitos não acharem que o pet está acima do peso, 64% indicaram que , atualmente, enxergam pelo menos um sinal de excesso de peso como, por exemplo, não ser possível sentir as costelas ou ter afrouxado a coleira. Esses sinais precisam ser captados pelo veterinário para a percepção do problema e indicação de soluções.

“A detecção dos problemas com o peso varia muito de um médico para o outro, nem sempre o pet é diagnosticado, por isso é importante que seja feita a orientação para a especialidade de nutrição, tanto para tratamento, quanto para prevenção”, ressalta o professor. O médico também reforça as doenças que a obesidade pode trazer aos pets. Segundo ele, cães podem desenvolver problemas de pele, problemas respiratórios e articulares, resultando em uma diminuição da expectativa de vida de até 15% ou dois anos. Para os gatos, o problema é ainda mais sério, pois os felinos possuem quatro vezes mais chances de desenvolver doenças articulares e diabetes.

Um dado muito importante é que 67% dos tutores de cães e gatos gostariam que seu médico-veterinário falasse mais sobre o peso do animal e 82% gostariam de receber orientações mais claras sobre peso ideal e conselhos para mantê-los aptos e saudáveis. A orientação é muito importante, já que, de acordo com a mesma pesquisa, 61% dos entrevistados desconheciam que os animais com excesso de peso podem ser suscetíveis a diabetes e doenças ortopédicas e, consequentemente, a redução da qualidade de vida.

Carciofi complementa: “existem muitos tipos de alimentos funcionais, como rações de baixa energia, que é a mais adequada aos animais que ficam em casa. As mais indicadas são as que possuem gordura abaixo de 10% e 5% a 6% de fibra, mas ainda assim não pode ser dada à vontade. A ida ao veterinário será importante para que ele avalie o score de condição corporal do pet e indique fortemente a prática de exercícios, alcançando assim o equilíbrio”.

A médica-veterinária, Dra. Luciana Peruca, também indica a importância da orientação aos tutores, pelos médicos, de observar as quantidades corretas de alimentos descritas nas embalagens. “O ideal é obedecer essa quantia e evitar a todo custo as porções extras, ainda que o animal manifeste apetite. A balança portátil ou potes com medida são formas segura e precisas de se medir a quantidade de alimento para ingestão diária”, explica.

“O pet obeso não deve ser visto como um ‘animal saudável e fofinho’, pelo contrário, um pet obeso pode ser considerado um animal doente. As principais consequências dessa anormalidade são problemas articulares, câncer, hipertensão, diabetes, problemas renais, dermatológicos entre outros não menos importantes”, conclui Luciana.

Todas essas tendências de saúde e nutrição animal serão abordadas durante o Congresso Internacional PET South America, que acontece de 21 a 23 de agosto, no São Paulo Expo, paralelamente a exposição de tecnologia e equipamentos veterinários na PET VET.

 

Artigo realizado por: Comunicação PET South America
Bem-Estar para Animais de Produção

Vacas ganham escovas para se coçar: Bem-Estar para animais de produção

Vacas ganham escovas giratórias: Alguns pesquisadores acham que as escovas mecânicas não são apenas uma futilidade de SPA para vacas leiteiras – eles são importantes para o bem-estar do animal.

Vacas, como cães e pessoas, gostam de uma boa “coçada”. Em liberdade, eles esfregam seus corpos contra postes ou árvores para remover parasitas ou ficarem limpos. Alguns fazem tanto, que eles podem quebrar torres de transmissão de rádio se você não cercá-las.

Mas muitas vacas leiteiras nos Estados Unidos nunca vão pastar. E mesmo quando o fazem, as vacas podem passar invernos amarradas em um celeiro. Então, se uma vaca tem uma coceira para coçar, o que ela pode fazer?

Em muitos locais, nada.

Mas em alguns lugares, há a escova mecânica.

Este aparelho, giratório e motorizado liga quando uma vaca o toca, permitindo que o animal alcance lugares do corpo que ele não poderia alcançar. Em média, as vacas passam sete minutos por dia esfregando suas cabeças, pescoços e costas nesses volumosos protetores corporais. E alguns pesquisadores acham que essas escovas mecânicas não são apenas uma futilidade de spa para vacas leiteiras – elas são importantes para o bem-estar do animal.

“Não temos idéia de como as vacas pensam”, disse Marina von Keyserlingk, que estuda bem-estar animal na Universidade da Colúmbia Britânica, no Canadá. “Mas o que sabemos é que elas estão altamente motivadas para se escovar. E o que acontece se não puderem?

Testando a vontade dos animais de trabalhar para ter acesso a ração fresca, escovas mecânicas e espaço vazio, a Dra. Von Keyserlingk e sua equipe treinaram vacas leiteiras prenhes, saudáveis ​​e cobertas para abrir um portão pesado. Olhando para o peso que eles estavam dispostos a empurrar antes de desistir, os pesquisadores tiveram uma ideia da importância relativa de cada recurso para as vacas.

Os pesquisadores suspeitaram que a escova viria em segundo lugar para as vacas famintas. Mas as vacas trabalhavam tão duro para a escova quanto comida fresca. Seus resultados, publicados na edição de quarta-feira da revista “Biology Letters”, sugerem que uma vaca pode precisar de escovas mecânicas para se alojar dentro de casa e que os produtores de leite deveriam considerar tê-las em seus celeiros.

As escovas podem beneficiar os agricultores, impedindo as vacas de destruírem superfícies dentro de celeiros e agradando aos consumidores que, cada vez mais, querem saber que os animais são saudáveis ​​e, mais importante, felizes.

Bem-Estar para Animais de Produção
Créditos: Benjamin Lecorps/UBC Animal Welfare Program

Para as vacas, o uso de escovas mecânicas pode afastar os surtos de parasitas, coçar e remover a pele morta. Mas a preparação também ajuda muitas espécies – talvez incluindo vacas – a lidar com o estresse.

“A maneira como vejo uma vaca se movendo sob essa escova vai muito além de aliviar essa coceira”, disse Temple Grandin, pesquisadora da Colorado State University, conhecida por seu trabalho sobre comportamento e bem-estar de animais de fazenda e que não esteve envolvida no estudo.

Os animais têm emoções, talvez não tão complexas, mas semelhantes aos humanos, ela disse (embora a natureza dessas emoções seja um tema atual entre os behavioristas de animais). Eles têm o mesmo sistema nervoso básico e os mesmos neurotransmissores em partes emocionais do cérebro.

“O que eles não têm é um córtex gigantesco que pode fazer coisas como voar até a lua ou construir aquele computador super complexo que você está usando agora”, disse a Dra. Grandin. “Eu vou dizer que a vaca leiteira gosta disso. É como ir ao spa.

Mas a Dra. Grandin e a Dra. Von Keyserlingk acham que, porque as vacas estão tão determinadas a chegar à escova, a limpeza pode ser mais parecida com a necessidade que temos de aparar nossas unhas.

Escovas mecânicas são necessárias na Dinamarca, mas não nos Estados Unidos ou no Canadá. E pode demorar um pouco até vermos mais delas, disse a Dra. von Keyserlingk, porque os estados e as províncias governam os cuidados com os animais nos Estados Unidos e no Canadá. Eles também são caros e de alta manutenção.

Em vez disso, a indústria e os consumidores podem impulsionar a demanda por escovas de gado.

“Se conseguirmos que a indústria assuma o controle e possa adaptar essas práticas recomendadas, elas serão muito mais ágeis do que a legislação”, de acordo com a Dra. von Keyserlingk.

No final, ela disse, “a ciência só pode nos dizer quais são as opções. Não pode nos dizer o que devemos fazer. ”

 

Fonte: The New York Times – 08/08/2018 – Science – por JoAnna Klein

Holanda proíbe uso de colar de garras

Na Holanda, o uso do chamado colar de garras foi proibido desde 1º de julho de 2018.

De acordo com a lei sobre o bem-estar animal, considera-se agora um ato de crueldade contra animais “usar ou amarrar um animal com um objeto com pontas afiadas ou dentes que possam causar dor”.

O uso de e-collars (colar eletrônico) continua a ser permitido no momento, mas será regulado em um momento posterior.

Veja texto traduzido do original em holandês e publicado em 02 de Julho de 2018, no site LICG.nl:

 

“A partir de 1 de julho de 2018, o colar de garras está proibido.

Uma importante lei que visa garantir a saúde e o bem-estar dos animais é a chamada ‘Animals Act’. A Lei Animal afirma que é proibido maltratar animais ou negligenciar animais.

Artigo 2.1 O Direito Animal estabelece a proibição da crueldade contra os animais e o Artigo 1.3 do Decreto dos Proprietários de Animais, que está ligado à Lei dos Animais, contém uma série de comportamentos concretos que devem ser rotulados como crueldade contra os animais. Por exemplo, é proibido abandonar, bater ou chutar um animal.

Em 1 de julho, foi acrescentado que o uso de ou a ligação ou alinhamento de um animal com um objeto com o qual o animal pode ser infligido dor por meio de saliências afiadas é proibido. Isso inclui as chamadas “tiras de punção”, colares com pontas afiadas, principalmente de metal ou plástico, destinadas a perfurar o pescoço de um animal. Formas de “coleiras anti-puxão” que funcionam dessa maneira também foram banidas.”

fontes:
https://www.fecava.org/en/newsroom/news/news-cat/the-netherlands-prohibits-prong-collars.htm
https://www.licg.nl/nieuws/per-1-juli-gebruik-prikband-verboden/

 

caes-pequenos-fazem-xixi-mais-alto-para-mentir-sobre-seu-tamanho-diz-estudo-comportamento-animal-ethos

Cães pequenos fazem xixi mais alto para mentir sobre seu tamanho, diz estudo

Você simplesmente não pode confiar em um cachorrinho?

Nós todos sabemos que os cães podem se comunicar através do perfume. Eles urinam em novas áreas, em sua própria casa, e certamente em coisas que outros cães fizeram xixi. Também sabemos que alguns machos levantam as pernas para fazer xixi mais alto. Mas uma nova pesquisa descobriu que cães menores levantam as pernas em um ângulo ainda maior do que os cães maiores, talvez para parecerem maiores.

“Nossas descobertas … fornecem evidências adicionais de que a marcação de cheiro pode ser desonesta”, disseram os autores no estudo publicado recentemente no Journal of Zoology.

Os pesquisadores da Universidade de Cornell primeiro estabeleceram que o ângulo em que um cão levantou a perna é um bom substituto para a altura do xixi. Eles pegaram um monte de cães de abrigo para passear e os filmaram fazendo xixi com um iPhone e, em alguns casos, com uma câmera de alta velocidade. E sim, com base em sua análise, o quão alto o cão levantou a perna poderia prever o quão alto seria o xixi, assim como a massa e a altura do cão.

Cães pequenos mentem seu tamanho fazendo xixi no alto
Fonte: Google

Em seguida, eles analisaram o tamanho de um cachorro em comparação com o quanto ele levantou a perna. Ambos os cães, mais leves e mais baixos, erguiam as pernas em ângulos mais altos do que os cães maiores. Os cachorrinhos pareciam estar tentando deixar uma assinatura de xixi de um cachorro maior. Do estudo:

Assim, mesmo que a altura da marca de urina reflita em parte o tamanho do sinalizador, os cães pequenos parecem “trapacear” usando ângulos maiores de perna elevada para depositar marcas de urina mais altas, exagerando assim seu tamanho.

Os pesquisadores escrevem que pode ser benéfico para os cães “exagerar seu tamanho corporal e habilidades competitivas” para evitar conflitos com outros cães. O estudo também contribui para um crescente corpo de pesquisas que sustentam que cães menores e cães maiores se comportam de maneira diferente. Os pesquisadores apontam que o estudo tem seus limites e outras possíveis interpretações. Talvez cães grandes não possam levantar as pernas tão alto quanto cães pequenos, por exemplo. E seria uma pesquisa futura determinar como os cães reagem às diferentes alturas das marcas de cheiro. Mas eles apontam que outros viram exemplos de “sinalização desonesta” em outras espécies, como o mangusto-anão, em que marcas de cheiro aparecem em locais inesperados, dado o tamanho do animal. Então da próxima vez que você ver um cachorrinho fazer xixi, pergunte a ele: o que você está tentando provar?

 

[Gizmodo – Journal of Zoology via New Scientist]
Como os cães pensam Kelp redes neurais Ethos Animal comportamento

Como os cães pensam? Rede neural treinada através do comportamento canino

Pesquisadores treinam inteligência artificial com o comportamento canino para melhor entender como pensam.

Pesquisadores da Universidade de Washington e do Allen Institute treinaram redes neurais para tentar compreender o comportamento dos cães. Na experiência, foram utilizadas filmagens e capturas de movimento de um cão de raça Malamute do Alaska, utilizando uma câmara GoPro montada na sua cabeça e sensores de movimento ligados às suas penas e corpo. Ao todo foram capturados cerca de 380 vídeos das atividades do quotidiano da cadela Kelp, enquanto passeava e brincava.

Os pesquisadores utilizaram a informação capturada para alimentar a inteligência artificial através de deep learning. Através desta técnica foi possível cruzar a informação dos sensores dos membros da cadela com as filmagens do que estava a observar, levando a máquina a antecipar como o animal reagiria em determinadas situações.

Como exemplo, se fosse arremessada uma bola, a IA saberia que a cadela iria persegui-la. Para além disso, outros comportamentos demonstrados através de inteligência visual foram anotados, como o reconhecimento de comida, os obstáculos e reações a outros animais e humanos.

Após treinar a rede neural com o comportamento do cão, os pesquisadores testaram a IA para perceber se o computador aprendeu alguma coisa sobre o mundo que não fosse explicitamente programado. Foram feitos dois testes à rede: um deles para identificar diferentes cenários, tais como interiores, exteriores, escadas, etc., e o outro, os locais que a cadela poderia percorrer.

A rede respondeu com grande precisão através da informação anteriormente recolhida, prevendo como a cadela se movia nos vários cenários e como decidia mudar de um estado de comportamento para outro. Foi assim demonstrado como a IA aprendeu com o comportamento da cadela para generalizar outras tarefas.

Através deste sistema em que a rede neural foi alimentada com imagens diretas de vídeo e informações geradas pelos sensores de movimentos, os investigadores afirmam que a IA aprendeu sem a necessidade de introduzir informações manuais ou descrições detalhadas previamente sobre o comportamento do animal.

O estudo concluiu que será possível estender a experiência a outros agentes e cenários. Além disso, a investigação centrou-se apenas na informação visual, ficando de fora outros canais de interação com o mundo, tais como o som, o toque e o cheiro.

 

Fonte: SapoTek
luto pela perda morte de um animal de estimação ethos animal

O luto por animais de estimação é uma realidade. E existe acompanhamento especializado

A ligação que desenvolvemos com os animais de companhia é diferente daquela que temos uns com os outros, mas não deixa de ser uma relação forte e de amizade. É por isso que, no momento da perda do animal e quando a saudade é mais difícil de digerir, faz sentido falar em acompanhamento.

A confissão de Barbra Streisand mostrou que a clonagem é um tema controverso. Mas o debate não se pode cingir ao processo em si: deve ser mais alargado e debruçar-se sobre as motivações que levam o dono de um animal falecido ou a sofrer de uma doença terminal a decidir cloná-lo. E, entre as razões, pode estar o sofrimento e a saudade do animal perdido.

Mas essa pode não ser a melhor solução: os donos estão à espera de um animal com a personalidade daquele que tiveram e o mais provável é que o animal não seja o que esperam. “No meu trabalho, acabo por me aperceber de experiências de famílias que estão a lidar com um segundo animal e que os problemas surgem de não se adaptarem à realidade de terem um animal diferente e tratarem o animal da mesma forma que tratavam do outro”, diz Rita Jacobetty, consultora de comportamento e bem-estar animal. Ainda que esta experiência não seja relativa a animais clonados, é também válida para esse contexto.

Como o veterinário do Centro Para o Conhecimento Animal (CPCA) Gonçalo da Graça Pereira descreve, “cada vez mais os animais de companhia fazem parte da família e do núcleo familiar. Cada vez mais falamos de uma família multiespécie, em que a mãe tira um dia de férias para ir com os filhos ao pediatra e com o cão e o gato ao veterinário”. É por isso que, como continua o veterinário especialista europeu em medicina do comportamento, faz sentido falar e reconhecer que nós, seres humanos – cada um com intensidades diferentes, tal como acontece quando é um ente querido que morre –, passamos por um processo de luto pelo animal que vivia connosco.

Até porque, como explica Tânia Dinis, psicoterapeuta que trabalha com processos de luto, entre os quais luto animal, a relação com um animal de companhia é um tipo de relação “muito próxima, que não tem ambivalências, sem as zangas que existem entre as pessoas e normalmente com um lado muito afetuoso”. A psicoterapeuta, que integra a equipa do CPCA, frisa ainda que, “de facto, os animais fazem muita companhia e são uma presença que está ali sempre – à exceção de sofrerem de alguma doença ou de terem algum acidente, não se vão embora”. Essa é uma certeza que, como assinala, nem sempre existe entre as pessoas. Entre nós, nessa perspetiva, criam-se relações mais inseguras.

O acompanhamento Não são poucas as pessoas que procuram apoio ao luto no momento em que perdem um animal de companhia, diz Tânia Dinis. E se algumas recuperam em meia dúzia de sessões, outras precisam de acompanhamento durante dois anos. E no que se baseia esse apoio? “Varia de situação para situação, mas há elementos mais ou menos constantes, como o organizar as memórias, ou seja, perceber qual foi o papel do animal na vida da pessoa – o que fica, o que deixa, o que pode ser lembrado”, explica a psicoterapeuta. É normal e inevitável, inicialmente, que a pessoa se sinta triste, “mas o que importa no contexto do acompanhamento é garantir que essa tristeza não é destrutiva”.

Algumas estratégias passam por levar a pessoa a procurar o apoio e o afeto das outras à sua volta. Nos casos em que a pessoa não tem essa possibilidade, é importante mostrar-lhe como pode criar ligações – ter outro animal ou arranjar amigos.

“O meu trabalho passa por ajudar a processar os sentimentos, perceber a função do animal para a pessoa e ajudar a pessoa a reorganizar a sua vida para voltar a construir redes emocionais e não se isolar”, explica Tânia Dinis.

Quando há crianças na família, a intervenção da profissional passa por explicar aos adultos da casa como devem lidar com as crianças no dia-a-dia, depois da perda, e o que lhes devem dizer. “A ideia é valorizar sempre o animal e recordar o lado positivo da experiência que se viveu com ele”, diz Tânia. A psicoterapeuta deixa um alerta: “Por exemplo, dizer à criança que o animal simplesmente desapareceu de casa é péssimo para os miúdos. É um susto e leva-as a questionar se pessoas, animais e as coisas de que gostam podem simplesmente desaparecer. Muitas vezes estamos a tentar protegê-las da tristeza, como se isso fosse possível, mas não é. Há coisas das quais não podemos protegê-las.”

Aqui no Brasil também é possível encontrar apoio e acompanhamento especializado em Luto pela perda ou morte de animais de estimação. Fale conosco para saber mais. Podemos ajudar.

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Arranjar um novo animal logo a seguir à morte do anterior pode não ser, em todos os casos, a estratégia certa. “Se o animal era tão importante, a família precisa de um intervalo para sentir saudades dele, para fazer uma separação. Depois, quando a tristeza já não for tão grande e a família não sentir uma necessidade de substituição, para encher um vazio, pode então pensar em ter um animal pela mesma razão pela qual teve o anterior – porque acha que a família fica mais completa com um animal de companhia”, declara.

Vergonha social Da parte daqueles que não têm animais de companhia, existe alguma dificuldade em compreender o sentimento de perda e o sofrimento inerentes à morte de um animal. Há, por isso, uma certa censura da parte da sociedade em relação a isso – o que resulta num sentimento de vergonha da parte das pessoas que perderam o animal e que acabam por sofrer em silêncio.

Os especialistas com quem falamos dizem sentir isso no quotidiano da profissão. Gonçalo da Graça Pereira traça o problema. “Não é socialmente bem aceite que as pessoas sofram pela perda do seu animal. ‘Era só um cão, era só um gato’, ouvimos. E então acaba por ser um luto escondido, silenciado e silencioso. As pessoas não podem tirar um dia porque lhes morreu um animal”, nota. O veterinário defende que as pessoas deviam ter direito a tirar um ou dois dias, tal como acontece quando perdem um familiar. “Acho que há situações até de crianças que não deveriam ir à escola naquele dia porque os colegas que não têm animais não vão entendê-las, é um sofrimento demasiado profundo para elas. Devia ser um motivo de justificação de falta para a escola e para o trabalho”, afirma. “Felizmente, a sociedade está a mudar e cada vez é mais bem aceite que possamos sofrer pela perda do nosso animal”, remata.

Tânia Dinis acrescenta que uma das especificidades deste tipo de acompanhamento é precisamente “o facto de as pessoas à volta não entenderem o peso que pode ter esta perda. Enquanto em relação à perda de pessoas quase toda a gente tem um perspetiva semelhante, em relação à perda de animais não é assim. Mas é certo que, para as pessoas que têm uma ligação forte com os seus animais, a perda é enorme”.

Você tem dúvidas ou gostaria de saber mais sobre os Serviços e Cursos oferecidos pela Ethos Animal? Entre em contato através do e-mail [email protected]. Certamente poderemos ajudar a melhorar ou restabelecer o equilíbrio emocional no relacionamento com seu(s) pet(s).

Fonte: sol.sapo.pt | beatriz dias coelho

 

cães mordem mais as pessoas ansiosas

Pesquisa científica demonstra que cães mordem mais as pessoas ansiosas

Pesquisa científica demonstra que cães mordem mais as pessoas ansiosas

Se você já ficou nervoso perto de um cachorro e te disseram para ficar calmo porque cachorros conseguem “sentir cheiro de medo”, você sabe que esse conselho é tão útil quanto falar para uma pessoa nervosa relaxar. O sentimento por trás dessa orientação, no entanto, parece estar enraizado em certa verdade: embora cachorros provavelmente não possam cheirar medo, eles parecem, sim, responder a pessoas temerosas com maior agressividade. Um novo estudo publicado na quinta-feira (1), na BMJ, descobriu que pessoas ansiosas ou neuróticas estão mais propensas a serem mordidas por cães. Além disso, os pesquisadores descobriram que a maioria das vítimas foi mordida por cachorros que não conhecia.

Pesquisadores da Universidade de Liverpool, no Reino Unido, conduziram uma pesquisa com mais de 1.200 lares na cidade de Cheshire, na Inglaterra. Junto com a avaliação de personalidade padrão, eles perguntaram aos entrevistados se já haviam sido mordidos por um cachorro em sua vida; se isso havia levado a algum tipo de tratamento médico; e se eles conheciam o animal em questão.

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Das mais de 600 pessoas que responderam, pouco menos de um quarto disse que havia sido mordido. Dessas mordidas (301 no total), um terço exigiu algum grau de tratamento médico, enquanto só uma mordida levou a uma internação no hospital. Os homens eram duas vezes mais propensos a reportar uma mordida do que as mulheres, e donos de cachorro tinham três vezes mais probabilidade. Mas pouco mais da maioria das mordidas, 55% para ser mais exato, aconteceu com pessoas que nunca haviam visto o cachorro antes do incidente.

Outro padrão encontrado foi que as pessoas que eram menos estáveis emocionalmente e mais ansiosas também estavam mais propensas a serem mordidas. Para cada queda em uma medição de neuroticismo em uma escala de um a sete (sete sendo a mais estável), o risco associado de uma mordida sofrida na vida cresceu em 33%.

“Este estudo demonstra que as mordidas de cachorro mais severas, de maior significância em saúde pública, são, por sorte, uma pequena proporção das mordidas em geral que acontecem”, escrevem os autores. Mas eles também apontaram que é “essencial que fatores de risco previamente supostos seja reavaliados, já que esse estudo revelou que crenças antigas, como a de que as mordidas normalmente sejam de cachorros conhecidos, estão sendo contestadas”.

O estudo é um dos poucos a tentar descobrir com que frequência os cães mordem as pessoas, sem ter que contar com registros hospitalares. Eles descobriram que, se o número de mordidas relatadas na cidade no ano passado (13) fosse extrapolado para a população geral do Reino Unido, ele chegaria a 18,7 mordidas a cada mil pessoas anualmente. Esse número é muito maior do que estimativas oficiais, quase três vezes mais alto do que a quantidade frequentemente citada de 7,5 mordidas a cada mil pessoas no Reino Unido.

Embora esse estudo tenha sido baseado em uma amostra de população pequena, suas descobertas se alinham com outras pesquisas. Nos Estados Unidos, o risco de uma mordida de cachorro parece ser tão comum quanto no Reino Unido.

“Na verdade, descobrimos taxas de ocorrência de mordidas de cachorros muito parecidas com as de estudos anteriores nos EUA, e é provável que as causas das mordidas de cães tenham muitas similaridades entre o Reino Unido e os Estados Unidos, assim como existem semelhanças nas maneiras como os cachorros são mantidos como animais de estimação”, contou a autora do estudo, Carri Westgarth, epidemióloga em Liverpool, em entrevista ao Gizmodo.

Conexão ainda sem explicação

O estudo não conseguiu revelar por que a conexão entre mordidas de cachorro e pessoas ansiosas existe, embora Westgarth e seus colegas tenham suas teorias. Já que as pessoas frequentemente relataram ter sido mordidas mais de uma vez, e por muitas mordidas terem ocorrido na infância, é possível que alguém que tenha sido mordido logo cedo na vida tenha crescido mais ansioso, admitiu Westgarth.

“Também é plausível que pessoas com tipos diferentes de personalidade se comportem de maneira diferente perto de cães. Os cachorros acham certos comportamentos humanos ameaçadores e estressantes, respondendo, então, com agressão”, disse. “Também existe uma sugestão de que pessoas nervosas e ansiosas são mais propensas a terem cães nervosos, seja adquirindo cachorros com personalidades parecidas ou por meio de efeitos de seu comportamento um sobre o outro.”

“Nós realmente não sabemos o que está levando a essa associação neste momento, e a descoberta também precisa de confirmação de outros estudos para sabermos se foi um resultado pontual”, acrescentou.

O que fazer

Se ansiedade e outros fatores de risco, como ser homem, de fato são um gatilho para mordidas de cães, então isso poderia levar a iniciativas educacionais mais apropriadas para grupos de risco específicos, como homens, crianças e aqueles menos estáveis emocionalmente, disse Westgarth.

É claro, existem vários passos de prudência que donos de cães e seus admiradores podem seguir para diminuir o risco de uma mordida.

“Eles incluem: pegar cães que tenham pais com bom temperamento; socializar o cão desde o nascimento com uma variedade de pessoas e situações que ele provavelmente vá encontrar ao longo da vida; aprender a interpretar os sinais sutis de que um cachorro pode estar se sentindo desconfortável e estressado e que podem levar a uma mordida; e, mais importante de tudo, ser sensível sobre como o cão é criado e supervisionado”, disse Westgarth. “Por exemplo, não assustar um cachorro quando ele está dormindo, alimentar um cão separadamente e deixá-lo comendo em paz e nunca deixar cachorros e crianças juntos sem supervisão.”

“Tendemos a pensar que ‘não aconteceria comigo’ ou que ‘meu cachorro não morderia’, mas todos os cachorros podem (morder), e precisamos ser realistas para administrar situações de forma que eles nunca sintam a necessidade de morder”, acrescentou.

 

fonte: Gizmodo Brasil e BMJ