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Categoria: Cães

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Seu cachorro sabe o que você está sentindo?

Os cães vivem intimamente ligados a seres humanos há milhares de anos, e isso faz com que muitos pesquisadores (e amantes desses animais) se concentrem em uma pergunta: eles nos entendem? Seu cachorro sabe o que você está sentindo?

 

Não é difícil perceber que existem muitas diferenças nas formas como nos comunicamos. Cachorros usam movimentos sutis de seus corpos, especialmente das orelhas e do rabo. Claramente não podemos nos expressar dessa forma; ao invés disso, usamos mais intensamente expressões faciais. E, enquanto mostrar os dentes geralmente é um sinal de agressividade nos cães, costuma indicar felicidade em humanos. Eles percebem essas diferenças?

 

Muitos estudos indicam que sim! Pesquisadores da Universidade de Vienna, por exemplo, realizaram um experimento em que mostraram aos cães imagens de rostos pela metade (só a parte de cima ou só a parte de baixo). Um dos grupos era recompensado sempre que tocava nos rostos de pessoas felizes, e outro sempre que tocava nos rostos de pessoas bravas. Depois, quando viam imagens da outra metade dos rostos mostrando essas mesmas emoções, eles ainda conseguiam diferenciar os felizes dos bravos, mesmo quando eram de pessoas nunca vistas antes.

 

Além de mostrar que os cães podem reconhecer nossas emoções, os autores observaram que os cães aprendiam mais rápido quando eram recompensados por tocar nos rostos felizes do que nos bravos. Isso pode indicar que eles enxergam os rostos bravos como estímulos negativos.

 

Outro estudo que contribui para essa ideia foi realizado por pesquisadores da USP, em parceria com a Universidade de Lincoln. A equipe mostrou aos cães imagens de humanos e cães felizes e bravos, e observou que os cães lambiam com mais frequência a própria boca ao ver humanos bravos. O comportamento de lamber a própria boca é associado a estresse ou desconforto, demonstrando novamente que os cães parecem entender o significado de uma expressão brava.

 

Uma pesquisa anterior da mesma autora demonstrou que os cães conseguem associar rostos e vocalizações humanas que demonstram o mesmo sentimento. Ou seja, eles obtêm informações emocionais de estímulos visuais e auditivos, e conseguem integrá-los. Os pesquisadores levantam que é provável, então, que cães entendam o significado emocional de nossas expressões.

 

Em outro trabalho, quando cães observaram pessoas fingindo chorar ou apenas cantarolando, eles mais frequentemente foram cheirar, lamber e cutucar com o focinho as pessoas chorando. Os autores desse experimento, de Goldsmiths College, levantam que isso pode ser um sinal de comportamento empático com as pessoas que pareciam estar tristes.

 

Ainda temos muito a aprender sobre como nossas emoções são reconhecidas e afetam nossos cães, mas já dá pra ver que eles parecem nos entender bem. Então, quando estiver feliz, lembre-se de dividir a alegria com seu melhor amigo!

 

Referências:

Albuquerque, N. et al. (2016). Dogs recognize dog and human emotions.

Albuquerque, N. et al. (2018). Mouth-licking by dogs as a response to emotional stimuli.

Custance, D; Mayer, J. (2012). Empathic-like responding by domestic dogs (Canis familiaris) to distress in humans: an exploratory study.

Müller, C.A. et al. (2015). Dogs can discriminate emotional expressions of human faces.

Siniscalchi, M; d’Ingeo, S; Quaranta, A. (2018). Orienting asymmetries and physiological reactivity in dogs’ response to human emotional faces.

Alcock, J. Comportamento animal. 9. Ed. 2011.

Bradshaw, J. Cão senso. 1. ed. 2012

Horowitz, A. A cabeça do cachorro. 4. ed. 2013

 

A autora:
Juliana Werneck é bióloga graduada na Universidade de São Paulo e adestradora formada pela Ethos Animal. Atualmente pesquisa comunicação entre cães e seres humanos no Instituto de Psicologia da USP.
Cães e Humanos Benefícios da coevolução

Cães e Humanos: benefícios da coevolução

Entrevista concedida pela Bióloga Helena Truksa, ao Portal Melhores Amigos


Cães e Humanos: benefícios da coevolução

Atualmente, muitos estudos já indicam que a interação do ser humano com o animal de estimação pode gerar melhora na saúde dos tutores e das famílias. Mas o que sabemos a respeito dos efeitos positivos na saúde do pet?

 

“A interação equilibrada entre humano e animal pode gerar benefícios físicos e mentais para ambos desde que sejam respeitadas as características da espécie animal em questão – explica a bióloga especialista em comportamento e bem-estar animal Helena Truksa, fundadora da Ethos Animal –  em se tratando de cães, por conta do histórico evolutivo da espécie e sua grande proximidade com seres humanos, os benefícios mútuos se tornam mais visíveis e mais profundos, já que somos parte de um processo de coevolução de milhares de anos. Dentre as espécies domesticadas, o cão é a que mais se destaca pela grande conexão emocional com humanos. Neste caso, o animal forma vínculos afetivos profundos com sua família humana”.

 

A receptividade ajuda o cão até mesmo a fortalecer o sistema imunológico pois trocas afetivas são potentes ativadores da produção e liberação de neurotransmissores e hormônios importantes para o bem-estar físico e psicológico do indivíduo (tais como oxitocina, serotonina e dopamina). E quando o organismo está com o stress “sob controle”, mantidos em níveis baixos, a imunidade aumenta.

 

Por outro lado, animais altamente sociais e dotados de sistema nervoso complexo são propensos a quadros depressivos. Isso pode ser visto em cães, primatas em geral e aves psitaciformes (famílias dos papagaios e cacatuas). O processo de domesticação também favorece a predisposição a este quadro emocional. Os sintomas são vários e o diagnóstico do problema depende de muitos fatores e do contexto em que são exibidos. Lembrando que estes sintomas podem também estar associados a quadros clínicos.

 

“A consulta veterinária é indispensável antes de se pensar em tratamento comportamental, como forma de descartar problemas puramente físicos. De forma geral, animais em quadro depressivo podem apresentar, com maior frequência e constância a perda de apetite (com consequente perda de peso), redução na atividade motora (mostra-se menos interessado nas atividades rotineiras que antes lhe geravam prazer, como brincar, correr, passear, etc.); aumento dos períodos de sono (dorme mais do que o habitual); queda de pelos e aumento ou surgimento de episódios de agressividade”, enumera Helena.

 

Mas, no caso de animais que sofrem de ansiedade de separação, ou são muito carentes, como amenizar o problema?

 

“Promover atividades interativas que preencham o tempo livre deste animal é fundamental – é o chamado enriquecimento ambiental. Também é necessário fazer com que o animal desenvolva mais tolerância aos períodos de ausência do tutor. Esse trabalho deve ser feito com auxílio de um profissional terapeuta devidamente qualificado”.

 

Além da aplicação de protocolos de modificação comportamental, o auxílio de um profissional terapeuta devidamente qualificado ajuda o animal a desenvolver tolerância aos períodos de ausência do tutor, de forma tranquila e com o mínimo de estresse.

 

Claro, esses períodos devem ser os mais breves possíveis, principalmente se o animal for “filho único”. “Cães são altamente sociais e precisam estar acompanhados por pessoas ou outros cães (mas principalmente por pessoas). Ter um segundo cão pode ajudar a reduzir o impacto da solidão, mas se a dinâmica familiar não for devidamente organizada, com rotinas definidas, e com equilíbrio emocional, a pessoa pode ter dois cães sofrendo com SAS (síndrome da ansiedade por separação) ao invés de apenas um!

 

“É importante que tutores e aqueles que desejam se tornar tutores saibam que os cães não devem ser deixados sozinhos por longos períodos. Se você trabalha fora de casa, digamos, das 8h às 18h, deixá-lo sozinho por todo esse tempo é um exercício cruel. A recomendação é que, se não puder ter mais um cachorro para fazer companhia, manter alguém em casa pelo menos por um certo período do dia, ou recorrer a uma creche canina, reconsidere a opção de procurar um cão”, conclui a especialista.

TEXTO ORIGINALMENTE PUBLICADO NO PORTAL MELHORES AMIGOS

Holanda proíbe uso de colar de garras

Na Holanda, o uso do chamado colar de garras foi proibido desde 1º de julho de 2018.

De acordo com a lei sobre o bem-estar animal, considera-se agora um ato de crueldade contra animais “usar ou amarrar um animal com um objeto com pontas afiadas ou dentes que possam causar dor”.

O uso de e-collars (colar eletrônico) continua a ser permitido no momento, mas será regulado em um momento posterior.

Veja texto traduzido do original em holandês e publicado em 02 de Julho de 2018, no site LICG.nl:

 

“A partir de 1 de julho de 2018, o colar de garras está proibido.

Uma importante lei que visa garantir a saúde e o bem-estar dos animais é a chamada ‘Animals Act’. A Lei Animal afirma que é proibido maltratar animais ou negligenciar animais.

Artigo 2.1 O Direito Animal estabelece a proibição da crueldade contra os animais e o Artigo 1.3 do Decreto dos Proprietários de Animais, que está ligado à Lei dos Animais, contém uma série de comportamentos concretos que devem ser rotulados como crueldade contra os animais. Por exemplo, é proibido abandonar, bater ou chutar um animal.

Em 1 de julho, foi acrescentado que o uso de ou a ligação ou alinhamento de um animal com um objeto com o qual o animal pode ser infligido dor por meio de saliências afiadas é proibido. Isso inclui as chamadas “tiras de punção”, colares com pontas afiadas, principalmente de metal ou plástico, destinadas a perfurar o pescoço de um animal. Formas de “coleiras anti-puxão” que funcionam dessa maneira também foram banidas.”

fontes:
https://www.fecava.org/en/newsroom/news/news-cat/the-netherlands-prohibits-prong-collars.htm
https://www.licg.nl/nieuws/per-1-juli-gebruik-prikband-verboden/

 

caes-pequenos-fazem-xixi-mais-alto-para-mentir-sobre-seu-tamanho-diz-estudo-comportamento-animal-ethos

Cães pequenos fazem xixi mais alto para mentir sobre seu tamanho, diz estudo

Você simplesmente não pode confiar em um cachorrinho?

Nós todos sabemos que os cães podem se comunicar através do perfume. Eles urinam em novas áreas, em sua própria casa, e certamente em coisas que outros cães fizeram xixi. Também sabemos que alguns machos levantam as pernas para fazer xixi mais alto. Mas uma nova pesquisa descobriu que cães menores levantam as pernas em um ângulo ainda maior do que os cães maiores, talvez para parecerem maiores.

“Nossas descobertas … fornecem evidências adicionais de que a marcação de cheiro pode ser desonesta”, disseram os autores no estudo publicado recentemente no Journal of Zoology.

Os pesquisadores da Universidade de Cornell primeiro estabeleceram que o ângulo em que um cão levantou a perna é um bom substituto para a altura do xixi. Eles pegaram um monte de cães de abrigo para passear e os filmaram fazendo xixi com um iPhone e, em alguns casos, com uma câmera de alta velocidade. E sim, com base em sua análise, o quão alto o cão levantou a perna poderia prever o quão alto seria o xixi, assim como a massa e a altura do cão.

Cães pequenos mentem seu tamanho fazendo xixi no alto
Fonte: Google

Em seguida, eles analisaram o tamanho de um cachorro em comparação com o quanto ele levantou a perna. Ambos os cães, mais leves e mais baixos, erguiam as pernas em ângulos mais altos do que os cães maiores. Os cachorrinhos pareciam estar tentando deixar uma assinatura de xixi de um cachorro maior. Do estudo:

Assim, mesmo que a altura da marca de urina reflita em parte o tamanho do sinalizador, os cães pequenos parecem “trapacear” usando ângulos maiores de perna elevada para depositar marcas de urina mais altas, exagerando assim seu tamanho.

Os pesquisadores escrevem que pode ser benéfico para os cães “exagerar seu tamanho corporal e habilidades competitivas” para evitar conflitos com outros cães. O estudo também contribui para um crescente corpo de pesquisas que sustentam que cães menores e cães maiores se comportam de maneira diferente. Os pesquisadores apontam que o estudo tem seus limites e outras possíveis interpretações. Talvez cães grandes não possam levantar as pernas tão alto quanto cães pequenos, por exemplo. E seria uma pesquisa futura determinar como os cães reagem às diferentes alturas das marcas de cheiro. Mas eles apontam que outros viram exemplos de “sinalização desonesta” em outras espécies, como o mangusto-anão, em que marcas de cheiro aparecem em locais inesperados, dado o tamanho do animal. Então da próxima vez que você ver um cachorrinho fazer xixi, pergunte a ele: o que você está tentando provar?

 

[Gizmodo – Journal of Zoology via New Scientist]
Como os cães pensam Kelp redes neurais Ethos Animal comportamento

Como os cães pensam? Rede neural treinada através do comportamento canino

Pesquisadores treinam inteligência artificial com o comportamento canino para melhor entender como pensam.

Pesquisadores da Universidade de Washington e do Allen Institute treinaram redes neurais para tentar compreender o comportamento dos cães. Na experiência, foram utilizadas filmagens e capturas de movimento de um cão de raça Malamute do Alaska, utilizando uma câmara GoPro montada na sua cabeça e sensores de movimento ligados às suas penas e corpo. Ao todo foram capturados cerca de 380 vídeos das atividades do quotidiano da cadela Kelp, enquanto passeava e brincava.

Os pesquisadores utilizaram a informação capturada para alimentar a inteligência artificial através de deep learning. Através desta técnica foi possível cruzar a informação dos sensores dos membros da cadela com as filmagens do que estava a observar, levando a máquina a antecipar como o animal reagiria em determinadas situações.

Como exemplo, se fosse arremessada uma bola, a IA saberia que a cadela iria persegui-la. Para além disso, outros comportamentos demonstrados através de inteligência visual foram anotados, como o reconhecimento de comida, os obstáculos e reações a outros animais e humanos.

Após treinar a rede neural com o comportamento do cão, os pesquisadores testaram a IA para perceber se o computador aprendeu alguma coisa sobre o mundo que não fosse explicitamente programado. Foram feitos dois testes à rede: um deles para identificar diferentes cenários, tais como interiores, exteriores, escadas, etc., e o outro, os locais que a cadela poderia percorrer.

A rede respondeu com grande precisão através da informação anteriormente recolhida, prevendo como a cadela se movia nos vários cenários e como decidia mudar de um estado de comportamento para outro. Foi assim demonstrado como a IA aprendeu com o comportamento da cadela para generalizar outras tarefas.

Através deste sistema em que a rede neural foi alimentada com imagens diretas de vídeo e informações geradas pelos sensores de movimentos, os investigadores afirmam que a IA aprendeu sem a necessidade de introduzir informações manuais ou descrições detalhadas previamente sobre o comportamento do animal.

O estudo concluiu que será possível estender a experiência a outros agentes e cenários. Além disso, a investigação centrou-se apenas na informação visual, ficando de fora outros canais de interação com o mundo, tais como o som, o toque e o cheiro.

 

Fonte: SapoTek
luto pela perda morte de um animal de estimação ethos animal

O luto por animais de estimação é uma realidade. E existe acompanhamento especializado

A ligação que desenvolvemos com os animais de companhia é diferente daquela que temos uns com os outros, mas não deixa de ser uma relação forte e de amizade. É por isso que, no momento da perda do animal e quando a saudade é mais difícil de digerir, faz sentido falar em acompanhamento.

A confissão de Barbra Streisand mostrou que a clonagem é um tema controverso. Mas o debate não se pode cingir ao processo em si: deve ser mais alargado e debruçar-se sobre as motivações que levam o dono de um animal falecido ou a sofrer de uma doença terminal a decidir cloná-lo. E, entre as razões, pode estar o sofrimento e a saudade do animal perdido.

Mas essa pode não ser a melhor solução: os donos estão à espera de um animal com a personalidade daquele que tiveram e o mais provável é que o animal não seja o que esperam. “No meu trabalho, acabo por me aperceber de experiências de famílias que estão a lidar com um segundo animal e que os problemas surgem de não se adaptarem à realidade de terem um animal diferente e tratarem o animal da mesma forma que tratavam do outro”, diz Rita Jacobetty, consultora de comportamento e bem-estar animal. Ainda que esta experiência não seja relativa a animais clonados, é também válida para esse contexto.

Como o veterinário do Centro Para o Conhecimento Animal (CPCA) Gonçalo da Graça Pereira descreve, “cada vez mais os animais de companhia fazem parte da família e do núcleo familiar. Cada vez mais falamos de uma família multiespécie, em que a mãe tira um dia de férias para ir com os filhos ao pediatra e com o cão e o gato ao veterinário”. É por isso que, como continua o veterinário especialista europeu em medicina do comportamento, faz sentido falar e reconhecer que nós, seres humanos – cada um com intensidades diferentes, tal como acontece quando é um ente querido que morre –, passamos por um processo de luto pelo animal que vivia connosco.

Até porque, como explica Tânia Dinis, psicoterapeuta que trabalha com processos de luto, entre os quais luto animal, a relação com um animal de companhia é um tipo de relação “muito próxima, que não tem ambivalências, sem as zangas que existem entre as pessoas e normalmente com um lado muito afetuoso”. A psicoterapeuta, que integra a equipa do CPCA, frisa ainda que, “de facto, os animais fazem muita companhia e são uma presença que está ali sempre – à exceção de sofrerem de alguma doença ou de terem algum acidente, não se vão embora”. Essa é uma certeza que, como assinala, nem sempre existe entre as pessoas. Entre nós, nessa perspetiva, criam-se relações mais inseguras.

O acompanhamento Não são poucas as pessoas que procuram apoio ao luto no momento em que perdem um animal de companhia, diz Tânia Dinis. E se algumas recuperam em meia dúzia de sessões, outras precisam de acompanhamento durante dois anos. E no que se baseia esse apoio? “Varia de situação para situação, mas há elementos mais ou menos constantes, como o organizar as memórias, ou seja, perceber qual foi o papel do animal na vida da pessoa – o que fica, o que deixa, o que pode ser lembrado”, explica a psicoterapeuta. É normal e inevitável, inicialmente, que a pessoa se sinta triste, “mas o que importa no contexto do acompanhamento é garantir que essa tristeza não é destrutiva”.

Algumas estratégias passam por levar a pessoa a procurar o apoio e o afeto das outras à sua volta. Nos casos em que a pessoa não tem essa possibilidade, é importante mostrar-lhe como pode criar ligações – ter outro animal ou arranjar amigos.

“O meu trabalho passa por ajudar a processar os sentimentos, perceber a função do animal para a pessoa e ajudar a pessoa a reorganizar a sua vida para voltar a construir redes emocionais e não se isolar”, explica Tânia Dinis.

Quando há crianças na família, a intervenção da profissional passa por explicar aos adultos da casa como devem lidar com as crianças no dia-a-dia, depois da perda, e o que lhes devem dizer. “A ideia é valorizar sempre o animal e recordar o lado positivo da experiência que se viveu com ele”, diz Tânia. A psicoterapeuta deixa um alerta: “Por exemplo, dizer à criança que o animal simplesmente desapareceu de casa é péssimo para os miúdos. É um susto e leva-as a questionar se pessoas, animais e as coisas de que gostam podem simplesmente desaparecer. Muitas vezes estamos a tentar protegê-las da tristeza, como se isso fosse possível, mas não é. Há coisas das quais não podemos protegê-las.”

Aqui no Brasil também é possível encontrar apoio e acompanhamento especializado em Luto pela perda ou morte de animais de estimação. Fale conosco para saber mais. Podemos ajudar.

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Arranjar um novo animal logo a seguir à morte do anterior pode não ser, em todos os casos, a estratégia certa. “Se o animal era tão importante, a família precisa de um intervalo para sentir saudades dele, para fazer uma separação. Depois, quando a tristeza já não for tão grande e a família não sentir uma necessidade de substituição, para encher um vazio, pode então pensar em ter um animal pela mesma razão pela qual teve o anterior – porque acha que a família fica mais completa com um animal de companhia”, declara.

Vergonha social Da parte daqueles que não têm animais de companhia, existe alguma dificuldade em compreender o sentimento de perda e o sofrimento inerentes à morte de um animal. Há, por isso, uma certa censura da parte da sociedade em relação a isso – o que resulta num sentimento de vergonha da parte das pessoas que perderam o animal e que acabam por sofrer em silêncio.

Os especialistas com quem falamos dizem sentir isso no quotidiano da profissão. Gonçalo da Graça Pereira traça o problema. “Não é socialmente bem aceite que as pessoas sofram pela perda do seu animal. ‘Era só um cão, era só um gato’, ouvimos. E então acaba por ser um luto escondido, silenciado e silencioso. As pessoas não podem tirar um dia porque lhes morreu um animal”, nota. O veterinário defende que as pessoas deviam ter direito a tirar um ou dois dias, tal como acontece quando perdem um familiar. “Acho que há situações até de crianças que não deveriam ir à escola naquele dia porque os colegas que não têm animais não vão entendê-las, é um sofrimento demasiado profundo para elas. Devia ser um motivo de justificação de falta para a escola e para o trabalho”, afirma. “Felizmente, a sociedade está a mudar e cada vez é mais bem aceite que possamos sofrer pela perda do nosso animal”, remata.

Tânia Dinis acrescenta que uma das especificidades deste tipo de acompanhamento é precisamente “o facto de as pessoas à volta não entenderem o peso que pode ter esta perda. Enquanto em relação à perda de pessoas quase toda a gente tem um perspetiva semelhante, em relação à perda de animais não é assim. Mas é certo que, para as pessoas que têm uma ligação forte com os seus animais, a perda é enorme”.

Você tem dúvidas ou gostaria de saber mais sobre os Serviços e Cursos oferecidos pela Ethos Animal? Entre em contato através do e-mail [email protected]. Certamente poderemos ajudar a melhorar ou restabelecer o equilíbrio emocional no relacionamento com seu(s) pet(s).

Fonte: sol.sapo.pt | beatriz dias coelho

 

cães mordem mais as pessoas ansiosas

Pesquisa científica demonstra que cães mordem mais as pessoas ansiosas

Pesquisa científica demonstra que cães mordem mais as pessoas ansiosas

Se você já ficou nervoso perto de um cachorro e te disseram para ficar calmo porque cachorros conseguem “sentir cheiro de medo”, você sabe que esse conselho é tão útil quanto falar para uma pessoa nervosa relaxar. O sentimento por trás dessa orientação, no entanto, parece estar enraizado em certa verdade: embora cachorros provavelmente não possam cheirar medo, eles parecem, sim, responder a pessoas temerosas com maior agressividade. Um novo estudo publicado na quinta-feira (1), na BMJ, descobriu que pessoas ansiosas ou neuróticas estão mais propensas a serem mordidas por cães. Além disso, os pesquisadores descobriram que a maioria das vítimas foi mordida por cachorros que não conhecia.

Pesquisadores da Universidade de Liverpool, no Reino Unido, conduziram uma pesquisa com mais de 1.200 lares na cidade de Cheshire, na Inglaterra. Junto com a avaliação de personalidade padrão, eles perguntaram aos entrevistados se já haviam sido mordidos por um cachorro em sua vida; se isso havia levado a algum tipo de tratamento médico; e se eles conheciam o animal em questão.

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Das mais de 600 pessoas que responderam, pouco menos de um quarto disse que havia sido mordido. Dessas mordidas (301 no total), um terço exigiu algum grau de tratamento médico, enquanto só uma mordida levou a uma internação no hospital. Os homens eram duas vezes mais propensos a reportar uma mordida do que as mulheres, e donos de cachorro tinham três vezes mais probabilidade. Mas pouco mais da maioria das mordidas, 55% para ser mais exato, aconteceu com pessoas que nunca haviam visto o cachorro antes do incidente.

Outro padrão encontrado foi que as pessoas que eram menos estáveis emocionalmente e mais ansiosas também estavam mais propensas a serem mordidas. Para cada queda em uma medição de neuroticismo em uma escala de um a sete (sete sendo a mais estável), o risco associado de uma mordida sofrida na vida cresceu em 33%.

“Este estudo demonstra que as mordidas de cachorro mais severas, de maior significância em saúde pública, são, por sorte, uma pequena proporção das mordidas em geral que acontecem”, escrevem os autores. Mas eles também apontaram que é “essencial que fatores de risco previamente supostos seja reavaliados, já que esse estudo revelou que crenças antigas, como a de que as mordidas normalmente sejam de cachorros conhecidos, estão sendo contestadas”.

O estudo é um dos poucos a tentar descobrir com que frequência os cães mordem as pessoas, sem ter que contar com registros hospitalares. Eles descobriram que, se o número de mordidas relatadas na cidade no ano passado (13) fosse extrapolado para a população geral do Reino Unido, ele chegaria a 18,7 mordidas a cada mil pessoas anualmente. Esse número é muito maior do que estimativas oficiais, quase três vezes mais alto do que a quantidade frequentemente citada de 7,5 mordidas a cada mil pessoas no Reino Unido.

Embora esse estudo tenha sido baseado em uma amostra de população pequena, suas descobertas se alinham com outras pesquisas. Nos Estados Unidos, o risco de uma mordida de cachorro parece ser tão comum quanto no Reino Unido.

“Na verdade, descobrimos taxas de ocorrência de mordidas de cachorros muito parecidas com as de estudos anteriores nos EUA, e é provável que as causas das mordidas de cães tenham muitas similaridades entre o Reino Unido e os Estados Unidos, assim como existem semelhanças nas maneiras como os cachorros são mantidos como animais de estimação”, contou a autora do estudo, Carri Westgarth, epidemióloga em Liverpool, em entrevista ao Gizmodo.

Conexão ainda sem explicação

O estudo não conseguiu revelar por que a conexão entre mordidas de cachorro e pessoas ansiosas existe, embora Westgarth e seus colegas tenham suas teorias. Já que as pessoas frequentemente relataram ter sido mordidas mais de uma vez, e por muitas mordidas terem ocorrido na infância, é possível que alguém que tenha sido mordido logo cedo na vida tenha crescido mais ansioso, admitiu Westgarth.

“Também é plausível que pessoas com tipos diferentes de personalidade se comportem de maneira diferente perto de cães. Os cachorros acham certos comportamentos humanos ameaçadores e estressantes, respondendo, então, com agressão”, disse. “Também existe uma sugestão de que pessoas nervosas e ansiosas são mais propensas a terem cães nervosos, seja adquirindo cachorros com personalidades parecidas ou por meio de efeitos de seu comportamento um sobre o outro.”

“Nós realmente não sabemos o que está levando a essa associação neste momento, e a descoberta também precisa de confirmação de outros estudos para sabermos se foi um resultado pontual”, acrescentou.

O que fazer

Se ansiedade e outros fatores de risco, como ser homem, de fato são um gatilho para mordidas de cães, então isso poderia levar a iniciativas educacionais mais apropriadas para grupos de risco específicos, como homens, crianças e aqueles menos estáveis emocionalmente, disse Westgarth.

É claro, existem vários passos de prudência que donos de cães e seus admiradores podem seguir para diminuir o risco de uma mordida.

“Eles incluem: pegar cães que tenham pais com bom temperamento; socializar o cão desde o nascimento com uma variedade de pessoas e situações que ele provavelmente vá encontrar ao longo da vida; aprender a interpretar os sinais sutis de que um cachorro pode estar se sentindo desconfortável e estressado e que podem levar a uma mordida; e, mais importante de tudo, ser sensível sobre como o cão é criado e supervisionado”, disse Westgarth. “Por exemplo, não assustar um cachorro quando ele está dormindo, alimentar um cão separadamente e deixá-lo comendo em paz e nunca deixar cachorros e crianças juntos sem supervisão.”

“Tendemos a pensar que ‘não aconteceria comigo’ ou que ‘meu cachorro não morderia’, mas todos os cachorros podem (morder), e precisamos ser realistas para administrar situações de forma que eles nunca sintam a necessidade de morder”, acrescentou.

 

fonte: Gizmodo Brasil e BMJ
Escócia proíbe uso de colar de choque colar eletrônico e-collar em cães 01

Escócia proíbe uso de colar de choque (colar eletrônico) em cães

O uso do colar de choque em cães está prestes a ser efetivamente banido na Escócia. O Governo escocês confirmou a informação.

Ministros disseram em Novembro que poderiam continuar a permitir o uso destes equipamentos de treinamento.

Isso, mesmo apesar dos avisos de instituições de bem-estar animal de que os colares de choque causam sofrimento desnecessário

A Secretária de Meio Ambiente, Roseanna Cunningham anunciou que o Governo irá além.

O movimento segue uma campanha de MSPs, incluindo o conservador escocês Maurice Golden e Ben Macpherson do SNP, bem como instituições de caridade animal, incluindo o Kennel Club, o Scottish SPCA e The Dogs Trust.

Colares eletrônicos são utilizados para treinar animais com problemas comportamentais – mas os ativistas argumentam que são cruéis e questionaram sua eficácia como auxiliar no treinamento.

 

Completamente inaceitável

A Sra. Cunningham disse que tomou a decisão depois de ouvir as preocupações que foram levantadas – particularmente sobre a pronta disponibilidade na internet de dispositivos baratos que podem ser comprados por qualquer pessoa e usados ​​para descarregar choques elétricos dolorosos.

Ela acrescentou: “Decidi tomar medidas para proibir efetivamente e prontamente seu uso na Escócia. “Causar dor aos cães por métodos inadequados de treinamento é claramente e completamente inaceitável e quero que não haja dúvida de que o treinamento doloroso ou desagradável para cães não será tolerado”.

 

Escócia proíbe uso de colar de choque colar eletrônico e-collar em cães 02
O colar de choque permite que os tutores de cães lhes desfiram um choque elétrico no pescoço – Fonte: Getty Images

 

Cunningham disse que ela trabalharia com as autoridades para garantir que “qualquer pessoa que tenha causado dor aos cães através do uso de coleiras ou outros dispositivos possa ser processada como merece”. Ela confirmou: “Vou, portanto, emitir uma orientação ministerial forte sobre o uso de todos os dispositivos de treinamento dolorosos para que os tribunais tomem em consideração em todos os casos que lhes sejam apresentados quanto ao sofrimento desnecessário através do uso desses dispositivos”.

O guia preliminar já foi publicado, com a proibição de ser introduzida através de orientações emitidas no âmbito da Lei de Saúde e Bem-Estar Animal (Escócia) de 2006 nos próximos meses. O projeto de orientação afirma que: “Causar sofrimento desnecessário é uma infração ao abrigo da Lei de Saúde e Bem-estar Animal (Escócia) de 2006. Isso inclui o sofrimento causado por métodos inadequados de treinamento”. Uma vez finalizada a orientação, os tribunais poderão levá-la em consideração ao estabelecer a responsabilidade em processo.

 

Debate Holyrood

O governo disse em Novembro que reforçaria as restrições em torno do uso de coleiras eletrônicas para treinamento de cães, mas seu uso ainda seria possível sob supervisão. Ele também disse que estava trabalhando com treinadores para desenvolver uma qualificação reconhecida para aqueles que desejassem continuar usando os colares de forma “controlada e responsável” para ajudar a treinar cães.

Mas Cunningham disse que a qualificação proposta não seria criada. Os colares já estão proibidos no País de Gales, mas permanecem em uso na Inglaterra. O Parlamento escocês deveria debater o uso de coleiras de choque elétrico na quinta-feira à tarde, com os partidos da oposição que se espera unirem para pedir a introdução de uma proibição. O debate deveria ter sido liderado pelo Sr. Golden, com uma petição que apoia o convite atraindo cerca de 20 mil assinaturas na quarta-feira à tarde.

O anúncio da Sra. Cunningham na quarta-feira foi recebido por ativistas e políticos de todas as partes. O Sr. Golden disse que estava “muito satisfeito com o governo escocês finalmente anunciar a proibição do uso de coleiras de choque elétrico para cães, que eles ouviram nossa campanha e as 20 mil pessoas que assinaram minha petição”. E Harry Huyton, diretor da instituição de caridade animal OneKind, disse que as coleiras de choque elétrico eram “cruéis, desnecessárias e ineficazes”.

 

 

Fonte:  bbc.com news – 24.01.18

A importância de brincar com seu cão: uma abordagem científica

importancia de brincar com seu cão ethos animal comportamento bem-estar
A interação social durante a brincadeira é importante para o bem-estar dos cães. Foto: Google

 

Você dedica algum tempo para brincar com seu companheiro?

A importância de brincar com seu cão: uma abordagem científica

As causas pelas quais os animais brincam ainda são motivos de estudos sobre o comportamento animal e as possíveis consequências para seu bem estar. O brincar está amplamente distribuído nas espécies animais, e não só os animais domésticos executam essa curiosa atividade. As brincadeiras aparecem em espécies com habilidades motoras e cognitivas complexas, sendo mais frequentes durante o desenvolvimento juvenil.

Podemos definir esse comportamento como voluntário, repetitivo, ocorrendo em situações que não envolvam risco. Entretanto, essa condição incorre em custos energéticos, tempo, possível exposição a injúrias, doenças e predadores, sendo exatamente estes últimos aspectos que ressaltam a presente dúvida.

As brincadeiras podem servir para diferentes funções de acordo com a espécie, idade, meio ambiente, status social e reprodutivo do nosso animal. Para o cão devemos também considerar os aspectos relacionados à sua domesticação, que se originou de uma associação com mais de 10.000 anos.

Além das questões relacionadas à função desse comportamento, temos nos perguntado se há também benefícios sobre o bem estar do animal. Para tanto, vamos relacionar as principais teorias que tentam explicar as funções do brincar nessa espécie tão querida. Vamos a elas:

– desenvolvimento de habilidades motoras

Brincar pode servir como uma preparação para o comportamento social adulto, por exemplo: eles aprendem a controlar a pressão de sua mordida sem causar danos ao parceiro. Podemos considerar que este treinamento dá também condições para um desenvolvimento cerebral privilegiado. Outro ponto seria um possível período sensível para a realização deste comportamento – este tópico não tem sido estudado, apesar de que sabemos que a taxa de brincadeiras diminui com o passar do tempo.

– treinamento para o inesperado

Essa explicação considera que esse comportamento melhoraria as habilidades sensoriais e locomotoras requeridas no caso de um evento inesperado, logo somente espécies com capacidades cognitivas mais complexas podem apresentar essa atividade. E não podemos esquecer que as brincadeiras dos cães, especialmente com humanos envolvidos, diminuem os hormônios relacionados ao estresse.

– coesão social

Essa teoria sugere que esse comportamento fortalece as relações sociais aumentando as chances de sobrevivência e reprodução. É importante lembrar que o cão é uma espécie que vive em grupo, e os tipos de brincadeiras que os cães executam conosco refletem essa natureza. Eles são menos competitivos e possessivos com seus brinquedos, e mais interativos durante suas brincadeiras com humanos, preferindo brincar com uma pessoa conhecida.

– brincar como um subproduto de processos biológicos

Ao invés de possuir uma função única, esse comportamento pode ser uma espécie de subproduto de outros processos biológicos. Durante a domesticação podemos ter selecionado diretamente ou indiretamente a retenção de comportamentos juvenis para a vida adulta dessa espécie.

Implicações das brincadeiras para o bem estar animal

Vamos pensar inicialmente num animal brincando solitariamente (situação que pode ser comum na sua casa quando você sai para trabalhar). Esse comportamento pode melhorar as capacidades desse animal (físicas e cognitivas), portanto seu bem estar. Contudo, se lembrarmos que esse animal é uma espécie gregária, então o ato de brincar pode ser uma tentativa de lidar com um meio pouco estimulador. Esse comportamento pode servir, nessa condição, como uma válvula de escape, já que nessas condições de manutenção podemos observar uma limitação severa de espaço e também social, que pode culminar numa condição de estresse.

A perseguição da cauda, um exemplo comum, que o animal executa como uma forma de seu comportamento normal, quando juvenil, pode indicar uma condição de subestimulação que reduzirá seu bem estar, e que pode culminar com o desenvolvimento de comportamentos anormais repetitivos. Portanto, essa condição (brincar sozinho) proporciona ao animal uma oportunidade para enriquecer um meio com pouca estimulação, e se ocorre em altas taxas pode indicar um prejuízo nas condições de seu bem estar. Logo, entreter seu cão, brincando com ele diretamente, e não deixá-lo brincar sozinho é uma forma de melhorar seu bem estar.

Portanto, é fundamental que você se envolva em atividades com seu cão, não pense que deixando brinquedos para ele utilizar sozinho seja uma estratégia adequada para melhorar seu bem estar. Com certeza é você o parceiro para brincadeiras que seu cão deseja.

 

Mais informações:
Why dogs play? Function and welfare implications of play in the domestic dog.
Applied Animal Behaviour Science 197: 1-8, 2017.

 

Gelson Genaro
Médico veterinário formado pela Universidade Estadual Paulista (UNESP) de Jaboticabal (SP), com mestrado e doutorado pela Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto-USP em Fisiologia. Professor da disciplina Bem Estar Animal, no Centro Universitário Barão de Mauá, de Ribeirão Preto (SP)

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Pesquisas confirmam que humanos gostam mais de cães do que de pessoas

Notícias de jornal que narram atos violentos contra mascotes geram mais comoção que as que envolvem seres humanos adultos

Um artigo científico acaba de confirmar o que todo mundo já sabia: na média, humanos gostam mais de cães que de outras pessoas. Principalmente se o bichinho for um filhote de olhos bem grandes.

 

Psicólogos da Northeastern Universtity, em Boston, nos EUA, distribuíram quatro notícias falsas, supostamente publicadas no Boston Globe, a 256 estudantes de graduação voluntários. Os relatos tinham protagonistas diferentes: um adulto na faixa dos 30, um bebê de um ano, um cãozinho recém-nascido e um cachorro mais velho, com seis anos de idade. Todos eram encontrados gravemente feridos após uma sessão de espancamento com um bastão de beisebol. Leia um trecho: “De acordo com as testemunhas presentes no local, um ataque particularmente cruel envolveu um filhote de um ano de idade que foi golpeado com um taco de beisebol por um atacante desconhecido. Chegando ao local do crime alguns minutos após o ataque, um policial encontrou a vítima com uma perna quebrada, lacerações múltiplas e inconsciente. Ninguém foi preso.”

 

Após a leitura, os participantes eram orientados a indicar, de acordo com uma escala, o grau de empatia que sentiram por cada uma das vítimas. Resultado? O bebê humano, o bebê canino e o cão adulto despertaram todos mais piedade que o humano adulto – e a comoção foi maior entre mulheres que entre homens.

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Foto: Onbeing . org | Será que os humanos gostam mais de cães do que de pessoas

A explicação é simples: a violência parece menos justificável quando a vítima é um ser indefeso, como um bebê ou o cachorro. Mesmo que o adulto não pudesse ter se defendido na situação narrada, nós ainda o encaramos como um ser consciente e autônomo, que (pelo menos em teoria) teria mais chances de se defender.

Segundo os próprios autores, a inspiração para a pesquisa veio após um caso real, ocorrido no estado norte-americano do Arizona em 2014. Um garoto de quatro anos foi atacado violentamente por um cão de grande porte, e precisou passar por delicadas cirurgias de reconstrução facial. Uma campanha para ajudá-lo alcançou cerca de 500 seguidores no Facebook. Já uma página criada por ativistas para evitar que o cão responsável pelo ataque fosse sacrificado alcançou 40 mil pessoas em pouco mais de uma semana.

Dito isso, é sempre bom lembrar que, na média, o ser humano não tem um bom histórico de relações com os animais. Na conclusão, os pesquisadores afirmam que a descoberta servirá justamente para criar campanhas de prevenção contra maus-tratos mais eficientes – que comovam usando filhotes simpáticos em vez de cenas de agressão apelativas. “Ao enfatizar a vulnerabilidade, em vez de focar na exposição à violência e agressão, programas inovadores podem revolucionar a prevenção de casos de abuso de animais.” Testes futuros terão as raças de cachorro especificadas e envolverão animais de outras espécies.

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Fonte: sciencenews . org | A ciência vem confirmando que humanos gostam mais de cães do que de pessoas
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Fonte: SuperInteressante, 06.11.17 – Bruno Vaiano