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O choro de um bebê transcende a espécie

Se uma mãe está fora fazendo compras e ela ouve uma jovem criança chorosa chamando “Mamãe!!”, ela imediatamente dará meia volta para ver de onde vem o som. Isto ocorre quase todas as vezes, mesmo que ela saiba que seu próprio filho está em casa ou na escola. Esta habilidade de reconhecer e responder ao “chamado de stress” dos filhos de outra pessoa não está limitada apenas aos seres humanos. Após perceber que a maioria dos bebês mamíferos tem choros que soam muito parecidos, Susan Lingle da Universidade de Wiinipeg elaborou um estudo e descobriu que veados selvagens no Canadá respondem ao choro de diversas espécies de mamíferos. Estes resultados foram publicados no periódico científico The American Naturalist.

Enquanto os cães têm sido conhecidos por responder ao choro de um bebê humano, não está claro se isto ocorre em decorrência de um atributo comum ao choro de todos os bebês mamíferos ou simplesmente por conta da familiaridade decorrente de milhares de anos de domesticação. Para remover qualquer chance da familiaridade estar afetando o estudo, Lingle e Tobias Riede da Midwestern University obtiveram gravações de choros de stress de filhotes mamíferos de espécies separadas por dezenas de milhões de anos de história evolutiva. As gravações foram tocadas para o veado selvagem através de alto-falantes e incluídos os choros de filhotes de focas, marmotas, gatos, morcegos e humanos.

Quanto os choros estavam dentro de uma faixa na qual veados fêmea estavam acostumadas a ouvir de sua própria prole, elas se demonstraram rápidas em tentar localizar o filhote da gravação, independentemente de qual espécie ele fosse. Se os chamados estivessem fora da faixa de frequência desejada, o choro chamaria a atenção da corça, mas ela não se moveria na direção do som. Se os pesquisadores ajustassem a frequência para recair dentro da faixa e não manipulassem a gravação de nenhuma outra forma, a corça responderia rapidamente e tentaria localizar o bebê.

Os pesquisadores também tocaram sons de veados adultos e predadores locais, incluindo coiotes, que não provocaram uma resposta. Adicionalmente, o veado não respondeu aos chamados de stress de aves canoras ou a chamados que estivessem dentro da faixa de frequência sonora desejada, mas sem a mesma estrutura encontrada nos choros naturais de filhotes mamíferos.

Ainda que haja diferenças em frequência e duração entre as espécies, há também características que têm sido evolutivamente conservadas.

Parece que, muito cedo na história dos mamíferos, as mães necessitaram proteger seus bebês e protegê-los rápido. Um tom que poderia ter causado a resposta mair rápida poderia ter sido altamente selecionado para tal, e poderia ter se tornado altamente conservado através da história. Os pesquisadores sugerem que isto seja um exemplo de sensibilidade inter-espécies que não esteja vinculada a empatia humana ou familiaridade. Isto pode significar que existam também outras áreas do comportamento e emoção sujeitas a transcender as espécies.

Cães são mais humanos do que imaginamos

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Os seres humanos e os cães mantêm uma relação estreita há centenas de anos, e os cachorros sempre foram considerados os melhores amigos do homem. Companheiros, guardiões, carinhosos, fiéis e muito expressivos, os cães têm demonstrado seu valor e conquistaram o coração de muitas pessoas.

O comportamento dos cachorros nos faz perguntar como eles percebem o mundo à sua volta e sua relação com os donos, além de nos maravilhar com a forma de expressar suas emoções com o rosto e os movimento da cauda. Mas eles se parecem com os seres humanos? De que forma?

Um estudo realizado por Gregory Berns, professor de neuroeconomia da Universidade de Emory, revelou como o cérebro dos cães funciona – e, o que é mais curioso, quais são suas semelhanças com o cérebro humano. Sua conclusão: “Os cães também são pessoas”.

Para realizar o estudo, Gregory começou a treinar sua cadela, Callie, com o treinador de cães Mark Spivak. Eles a ensinaram a entrar sozinha em um aparelho de ressonância magnética, que escaneou o cérebro do animal e registrou as reações a diferentes estímulos. Também a ensinaram a ficar quieta durante o procedimento e a tolerar os tampões de ouvido que a protegiam do ruído alto produzido pela máquina. Quando os testes de tentativa e erro alcançaram um nível satisfatório com Callie, Spivak e Berns treinaram uma dúzia de cães para se tornarem objetos de estudo da pesquisa.

A participação no estudo foi voluntária, e os proprietários tiveram que assinar um termo de autorização, concordando que seu cão poderia deixar o estudo quando desejasse. Os animais não foram sedados ou amarrados para que pudessem sair da máquina a qualquer momento.

O resultado mais surpreendente da pesquisa detectou semelhanças significativas entre os seres humanos e os cães em relação à estrutura e ao funcionamento de uma das principais regiões do cérebro: o núcleo caudado . É uma região rica em receptores de dopamina e, nos humanos, cumpre a função de antecipar coisas agradáveis, como comida, amor e até mesmo dinheiro. Nos cães, o estudo demonstrou que:

1 . Assim como nos seres humanos, o núcleo caudado aumenta as reações ligadas a movimentos que indicam alimento.

2. Os odores familiares se apresentam como um estímulo que ativa essa região do cérebro, também de forma similar a uma função do cérebro humano.

Em outras palavras, tanto o cérebro humano como o canino são ativados por estímulos similares e que estão associados a emoções positivas. Bernes declarou ao New York Times que os neurocientistas chamam esse processo de “homologia funcional”, um grande indício da existência de emoções caninas “humanas”.

O pesquisador concluiu que “a capacidade de experimentar emoções positivas, como o amor e o apego, significa que os cães têm um nível de sensibilidade comparável ao de uma criança humana”, e portanto, deveríamos mudar nossa forma de interagir com eles.

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Fonte: http://animalplanet.discoverybrasil.uol.com.br/caes-sao-mais-humanos-do-que-imaginamos/

No que os animais podem auxiliar seus filhos

Veja a importância da convivência entre animais e crianças.

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Interagir com animais relaxa, tira momentaneamente o foco das dificuldades diárias, desperta uma sensação de felicidade e faz com que as pessoas se sintam mais úteis, queridas e amadas. Além destes benefícios, existem outros que os animais trazem especificamente para as crianças, que vamos conhecer hoje.

As pessoas que se criam junto com animais de estimação têm muitas vantagens no seu desenvolvimento. O despertar de sentimentos positivos para o animal pode contribuir para a auto-estima e autoconfiança, propiciando o desenvolvimento da sua personalidade de maneira equilibrada e saudável, tendo mais facilidade para lidar com a frustração e libertar-se do egocentrismo.

Um bom relacionamento com animais pode ajudar no desenvolvimento da comunicação não verbal, na compaixão e na empatia, auxiliando na maturidade emocional e no desenvolvimento dos relacionamentos. Segundo psicólogos, a convivência nesta fase da vida ajuda a criança no desenvolvimento do entendimento e das habilidades corporais, tornando-se estas mais sociáveis, cordiais e justas. Além disso, estas se relacionam mais facilmente com os amigos e conhecem bem o valor do respeito.

Um animal sempre requer cuidados, que quando bem orientados por um adulto, estimulam a autonomia e a responsabilidade das crianças, permitindo o despertar da responsabilidade e o entendimento de que bichos não são brinquedos. A tarefa de cuidar da limpeza corporal do animal e do lugar em que ele vive, a sua alimentação, a atitude de dividir o seu pão ou oferecer-lhe  um pedaço de bolacha, dar remédio quando necessário, também favorece o desenvolvimento do vínculo afetivo; estas crianças se tornam mais afetivas, generosas e solidárias, demonstrando maior compreensão dos acontecimentos e sensibilizando-se mais com as pessoas e as situações. Além disso, elas também aprendem a lidar com os mais diversos sentimentos, da frustração a alegria, até a morte. E é neste aspecto da vida e da morte, que o animal de estimação tem um papel muito importante, pois a criança aprende a lidar com a perda e a dor. Isto auxilia na autonomia, responsabilidade, preocupação com a natureza e com os problemas sociais, favorecendo a boa auto-estima.

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No tocante a saúde corporal, pediatras descobriram que a presença dos animais já nos primeiros anos de vida do indivíduo permite que o corpo deste construa defesas contra os agentes capazes de produzir alergias. Na Alemanha descobriu-se que pacientes entre 4 – 5 anos de idade se recuperaram mais rápido de doenças de rotina quando possuíam um animal em casa, além de apresentarem melhor imunidade do que aquelas que não se relacionam com gatos ou cães.

Assim, temos a certeza de que esta é, sem dúvida, mais uma alternativa que pode ser empregada na educação e no tratamento da saúde dos nossos filhos, mais uma tarefa realizada por nossos queridos amigos de patas, pêlos ou penas.

(*Fabíola Dalmolin é Médica Veterinária, Professora Universitária e Doutoranda em Cirurgia Veterinária pela UFSM )

Fonte: Aqui Sudoeste